Em janeiro de 2026, a indústria da música finalmente formalizou algo que já estava evidente havia alguns anos. Raye conquistou seu primeiro reconhecimento oficial do Grammy, encerrando um dos arcos mais emblemáticos de superação artística da música pop. O prêmio Harry Belafonte Best Song for Social Change, concedido pela música “Ice Cream Man.”, será entregue oficialmente no dia 31 de janeiro, durante a cerimônia de Mérito Especial da Recording Academy. Mais do que um troféu, o momento consolida uma virada histórica de narrativa.

O reconhecimento chega em um ponto específico da carreira da artista. Em 2026, Raye já carrega um percurso que atravessa bloqueios institucionais, recordes de premiação, impacto cultural e autonomia criativa. O Grammy surge como síntese simbólica de uma trajetória construída à revelia do sistema tradicional, algo raro mesmo em uma indústria que constantemente celebra histórias de superação.
Além do prêmio honorário, Raye também figura entre as indicadas ao Grammy 2026 com o projeto “Live at the Royal Albert Hall”, concorrendo na categoria de Melhor Filme Musical. A indicação reforça o alcance artístico de uma obra que extrapola o estúdio e transforma performance ao vivo em linguagem estética, emocional e política.
A presença da artista no radar da Recording Academy já vinha se desenhando desde o ano anterior. Em 2025, RAYE entrou para a história do Grammy ao se tornar a primeira artista indicada simultaneamente às categorias de Artista Revelação e Compositor do Ano (Não Clássico). Mesmo sem levar os prêmios competitivos naquele ciclo, sua apresentação de “Oscar Winning Tears” foi amplamente reconhecida como um dos momentos mais intensos e tecnicamente precisos da cerimônia, funcionando como um aviso de que aquele nome já ocupava outro patamar criativo.
Antes mesmo de alcançar o Grammy, RAYE já havia reconfigurado o próprio status na indústria. No BRIT Awards 2024, a cantora venceu seis prêmios em uma única noite, incluindo Álbum do Ano e Artista do Ano, estabelecendo um recorde inédito na premiação e superando marcas antes associadas a nomes como Adele e Harry Styles. Aquele momento deixou claro que o sucesso da artista deixava de ser exceção para se tornar estrutura.
Esse reconhecimento ganha ainda mais peso quando observado à luz do passado recente. Por cerca de sete anos, Raye esteve sob contrato com a Polydor, vínculo iniciado ainda na adolescência, que a manteve afastada do lançamento de um álbum autoral. Durante esse período, sua produção era direcionada quase exclusivamente para singles comerciais e colaborações eletrônicas, enquanto composições pessoais eram sistematicamente engavetadas sob o argumento de baixa viabilidade comercial.
O ponto de ruptura aconteceu em 2021, quando a artista tornou pública sua frustração ao revelar que tinha álbuns prontos sem qualquer previsão de lançamento. A reação do público foi imediata e intensa. Pouco tempo depois, o contrato foi encerrado, abrindo caminho para uma mudança radical de controle criativo.
Como artista independente, Raye lançou “My 21st Century Blues”, em 2023, financiado com recursos próprios. O disco rapidamente se transformou em um marco cultural. A faixa “Escapism.” alcançou o topo das paradas no Reino Unido e se espalhou globalmente pelas redes sociais, provando que autenticidade artística e alcance comercial caminham juntos quando a narrativa encontra verdade.
O Grammy de 2026 surge como coroação desse processo. “Ice Cream Man.” aborda de forma direta temas como agressão sexual e estruturas de poder dentro da indústria musical. Receber o prêmio Harry Belafonte por essa canção representa justiça simbólica e reconhecimento institucional de uma dor transformada em linguagem artística. Mais do que isso, consolida uma vitória conquistada fora do eixo tradicional das grandes gravadoras.
A trajetória de Raye também se sustenta em um repertório autoral que antecede sua própria visibilidade como artista solo. Antes de lançar seus álbuns, ela já assinava composições para nomes como Beyoncé, em “Bigger” e “RIIVERDANCE”, além de trabalhos com John Legend e Rita Ora. O Grammy reconhece uma artista completa, cuja contribuição para a música popular ultrapassa fronteiras de gênero, formato e mercado.
Em 2026, a história de Raye se estabelece como referência. Uma artista que enfrentou o sistema, retomou o controle da própria obra e alcançou o maior reconhecimento da música mundial mantendo autonomia criativa. O prêmio chega como consequência, não como ponto de partida. E isso muda tudo.
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






