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Reddy Allor compartilha detalhes de parceria com Roberta Miranda

Lançado pela Som Livre, o single “Coração Tem Lei” marca uma travessia decisiva na trajetória de Reddy Allor, nome essencial do Queernejo. A faixa, que já está disponível nas plataformas digitais, sela uma parceria histórica com Roberta Miranda, ao mesmo tempo em que abre as portas para uma nova fase em sua carreira: mais madura, mais enraizada no sertanejo e ainda mais comprometida com a ideia de ocupar espaços com voz, presença e intenção.

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Reddy Allor compartilha detalhes de parceria com Roberta Miranda

Depois de um período de hiato, Reddy ressurge com uma canção que carrega dupla simbologia. Musicalmente, “Coração Tem Lei” mergulha na estética clássica da sofrência, usando metáforas de trânsito para narrar um término amoroso onde a personagem abandonada avisa que a outra “vai levar multa”. Mas, além disso, a música funciona como ponto de inflexão entre o experimentalismo pop-eletrônico de “Cavalo de Troia”, seu álbum de 2024, e um resgate emocional das raízes sertanejas que sempre estiveram presentes em sua formação artística.

“Sempre me vi como uma cantora sertaneja”, revela Reddy, ao comentar sobre esse novo ciclo. A pausa entre lançamentos, segundo ela, foi um processo de escuta e entendimento interno. A ideia de continuidade não é apenas estética, mas simbólica: “Coração Tem Lei” dá sequência ao gesto de invadir o sertanejo com novas narrativas e corpos dissidentes, agora com ainda mais intencionalidade. O sertanejo, antes alvo de reinterpretações híbridas, agora se torna território direto, visceral, assumido.

A parceria com Roberta Miranda veio como uma surpresa e um divisor de águas. No ano passado, foi a própria Roberta quem entrou em contato com Reddy, interessada em colaborar. “Coração Tem Lei”, que já estava gravada e pronta para ser lançada solo, foi enviada como sugestão, e Roberta se apaixonou pela música de imediato. O resultado foi o encontro de duas vozes de gerações diferentes, mas unidas por um compromisso em comum: romper as amarras do sertanejo e expandir seus limites.

“Do mesmo jeito que sempre faltaram mais mulheres na música sertaneja, ainda faltam artistas LGBTQIAPN+ e isso precisa mudar”, declarou Roberta. A cantora, conhecida por abrir caminhos em um gênero tradicionalmente masculino e conservador, vê em Reddy a continuação de uma luta que não terminou. “Foi um prazer enorme cantar com ela”, completa.

Na canção, o uso inteligente de imagens como placas, multas e sinalizações reforça o poder narrativo de Reddy, que adapta com naturalidade o vocabulário do sertanejo a uma linguagem própria, sem abrir mão da identidade que a move. “A minha presença já carrega tudo que represento. Não enxergo como uma adaptação, sigo criando a partir das minhas referências”, afirma.

“Coração Tem Lei” também reforça a maneira como o Queernejo tem reconfigurado o cenário sertanejo por dentro, com artistas que, como Reddy, criam espaços de pertencimento em um território historicamente conservador. “Confesso que existe uma grande dificuldade em me provar pertencente a esse espaço, mas o crescimento do meu trabalho e os acessos com a Som Livre têm facilitado algumas entradas”, explica. A caminhada, segundo ela, exige paciência, estratégia e a consciência de que se trata de uma questão estrutural, não uma barreira pessoal.

Mais do que um single, “Coração Tem Lei” é o marco inicial de uma série de novos projetos que Reddy pretende apresentar ao longo de 2025. É também o reencontro com uma infância que sonhava em pisar nos maiores palcos do sertanejo brasileiro. Agora, com o microfone firme nas mãos e Roberta Miranda ao seu lado, ela mostra que esse caminho está só começando.

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