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Rock in Rio 2026: os acertos e erros que marcaram a edição

Texto: Ygor Monroe
14 de setembro de 2026
em Festivais, Rock In Rio

O Rock in Rio 2026 chegou ao fim no domingo, 13 de setembro, depois de sete dias de programação na Cidade do Rock. Entre apresentações que ganharam destaque, a estreia do K-pop no Palco Mundo, mudanças no perfil do público e uma edição marcada pela chuva, o festival encerrou mais um capítulo de sua história acumulando elogios, mas também críticas relacionadas à curadoria, à distribuição das atrações e à infraestrutura.

Rock in Rio 2026: os acertos e erros que marcaram a edição
Rock in Rio 2026: os acertos e erros que marcaram a edição

No aspecto musical, Elton John terminou a edição como um dos nomes mais elogiados. A apresentação comandada pelo cantor e seu piano foi recebida como um dos grandes acontecimentos do festival e reforçou o espaço ocupado por artistas veteranos na programação. Gilberto Gil também apareceu entre os destaques, enquanto o Foo Fighters sustentou mais de duas horas de apresentação no primeiro fim de semana.

Outro acerto importante esteve na aproximação definitiva do Rock in Rio com uma geração mais jovem. A estreia do Stray Kids no festival, em 11 de setembro, transformou o dia dedicado ao K-pop em um dos principais acontecimentos da edição. O grupo mobilizou uma grande base de fãs e ocupou o Palco Mundo com uma apresentação baseada em coreografias, produção visual e forte participação do público.

A presença de Hwasa na mesma data ampliou essa aproximação com o mercado sul-coreano e mostrou que existe demanda para que o gênero continue ocupando espaços importantes nas próximas edições. O movimento também ajudou a diversificar o perfil tradicionalmente associado ao festival e colocou a programação de 11 de setembro entre as mais comentadas nas redes sociais.

A música brasileira também encontrou momentos de destaque fora do Palco Mundo. Péricles reuniu uma grande plateia no Palco Sunset e apareceu entre os shows nacionais mais comentados positivamente da edição. Belo, por sua vez, levou uma multidão ao Espaço Favela e reforçou a presença do pagode dentro de uma programação cada vez mais aberta a diferentes segmentos da música brasileira.

Entre os aspectos estruturais, o transporte público recebeu avaliações positivas de parte do público. O esquema especial de mobilidade montado para atender à Cidade do Rock conseguiu acelerar a saída em diferentes noites, especialmente por meio da operação de BRT. O funcionamento do transporte contrastou, porém, com um dos principais problemas enfrentados dentro do próprio festival.

A chuva esteve presente em cinco dos sete dias de Rock in Rio 2026 e expôs dificuldades de circulação em diferentes pontos da Cidade do Rock. Grandes poças e trechos com lama se formaram em áreas movimentadas, incluindo caminhos utilizados pelo público para circular entre o Palco Mundo e o Palco Sunset. A situação provocou reclamações principalmente nos dias em que a chuva permaneceu durante várias horas.

Além do desconforto, a concentração de pessoas em determinadas apresentações voltou a colocar a distribuição do público em discussão. Em momentos de maior lotação próximos aos palcos, a organização utilizou os telões para orientar as pessoas a recuarem e abrirem espaço. Relatos publicados nas redes sociais também mencionaram empurra-empurra e dificuldade de circulação nas regiões mais próximas às grades.

A própria divisão das atrações entre os palcos entrou nesse debate. Zara Larsson foi um dos principais exemplos citados pelo público. Escalada para o Palco Sunset, a cantora sueca chegou ao Brasil em um momento de projeção de “Midnight Sun” e encontrou uma plateia numerosa. A recepção levou parte dos fãs a questionar por que a artista não havia sido posicionada no Palco Mundo.

Em diferentes horários, o contraste entre a concentração de público no Sunset e espaços mais vazios em outras regiões da Cidade do Rock também alimentou críticas sobre o dimensionamento dos palcos. Para parte do público, determinadas atrações poderiam ter recebido posições diferentes na programação considerando a demanda apresentada durante o próprio festival.

Maroon 5 esteve no centro de outra discussão. A banda retornou ao evento e dividiu opiniões sobre a frequência com que aparece em grandes festivais brasileiros. Nas redes sociais, a repetição virou assunto para memes e comentários sobre a necessidade de ampliar a variedade de atrações internacionais nas próximas edições.

As críticas não ficaram restritas ao grupo. A apresentação de Machine Gun Kelly também encontrou uma recepção dividida dentro da programação do primeiro fim de semana, principalmente pela posição ocupada em uma data direcionada a diferentes vertentes do rock. Nelly recebeu questionamentos pelo formato adotado no palco, enquanto parte do público deixou a Cidade do Rock durante o encerramento de Calvin Harris.

A composição dos dias, aliás, tornou-se um dos assuntos mais discutidos da edição. A tentativa de reunir artistas de diferentes segmentos permitiu que o festival alcançasse públicos variados, mas também provocou críticas sobre a identidade de algumas datas. Em determinados casos, fãs apontaram pouca conexão entre artistas apresentados em sequência ou no mesmo dia.

A discussão ficou especialmente evidente na programação de 5 de setembro. Parte dos fãs de metal e rock mais pesado questionou as escolhas da organização e a presença de atrações consideradas distantes da proposta que tradicionalmente caracteriza esse tipo de dia no festival. Outros espectadores defenderam justamente a ampliação das vertentes representadas, mostrando uma divisão sobre até onde o Rock in Rio deve manter noites organizadas por gêneros específicos.

A recepção aos artistas também mostrou diferenças entre avaliações publicadas pela imprensa e as discussões das redes sociais. Luísa Sonza e J Balvin, por exemplo, encontraram grupos de fãs defendendo suas apresentações após avaliações negativas circularem sobre os shows. No caso de J Balvin, elementos pensados especialmente para a passagem pelo Brasil também foram destacados por quem acompanhou a performance.

Marina Sena foi outro nome que dividiu opiniões. Enquanto parte do público questionou aspectos da apresentação e de sua escalação, fãs avaliaram positivamente a estreia solo da cantora no festival. A diferença entre essas percepções reforçou como o balanço da edição passou a ser construído não apenas pelas avaliações especializadas, mas também pela resposta imediata de quem estava na Cidade do Rock ou acompanhava os shows pela televisão e pelas redes sociais.

O espaço destinado aos artistas brasileiros também entrou na discussão. Mesmo com apresentações nacionais bem recebidas em diferentes palcos, parte do público questionou a ausência de alguns dos maiores nomes do país nas posições centrais do Palco Mundo. Ivete Sangalo, presença recorrente na história do Rock in Rio, foi lembrada nas redes como exemplo de artista brasileira capaz de comandar grandes públicos no espaço principal.

A ausência de Anitta também apareceu entre os comentários de fãs que cobraram uma presença nacional maior na programação pop. O debate não esteve necessariamente ligado à quantidade de artistas brasileiros presentes no festival, mas às posições ocupadas por eles e à possibilidade de nomes nacionais assumirem horários tradicionalmente reservados aos principais artistas internacionais.

Além da programação musical, outro assunto recorrente foi a dimensão comercial do evento. O Rock in Rio reúne dezenas de marcas, espaços exclusivos, camarotes, áreas VIP e ativações distribuídas pela Cidade do Rock. Nas redes sociais, algumas pessoas criticaram a visibilidade destinada a convidados e influenciadores nesses ambientes em comparação com a experiência enfrentada pelo público nos setores comuns, especialmente durante os dias de chuva.

Apesar das divisões, Stray Kids e Elton John terminaram o Rock in Rio 2026 entre os símbolos dos dois extremos geracionais que funcionaram nesta edição. De um lado, um grupo que representa a expansão global do K-pop e levou uma nova geração em massa à Cidade do Rock. Do outro, um dos nomes mais importantes da música internacional, sustentando uma apresentação apoiada em décadas de repertório.

Essa combinação mostrou uma das possibilidades que o festival pode explorar quando retornar em 2028. A edição de 2026 demonstrou que existe espaço para artistas históricos, fenômenos atuais e diferentes segmentos da música brasileira dentro do mesmo evento, mas também deixou discussões sobre como distribuir essas atrações de maneira mais adequada entre dias, horários e palcos.

Com o encerramento de mais uma edição, o balanço do Rock in Rio 2026 passa justamente por esses contrastes. O festival conseguiu produzir alguns dos shows mais comentados do ano e alcançar públicos que ainda não tinham presença tão expressiva na Cidade do Rock, ao mesmo tempo em que enfrentou questionamentos sobre infraestrutura, repetição de atrações e decisões de curadoria. São pontos que agora entram no histórico da edição e devem acompanhar as expectativas para o próximo Rock in Rio.

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Temas: Rock in Rio

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