Roger Waters publicou nesta quarta-feira (16) um vídeo direcionado a Ed Sheeran após a retirada de Macklemore das próximas apresentações da turnê “Loop Tour”. Cofundador do Pink Floyd e conhecido por seu posicionamento público em defesa dos palestinos, o músico criticou diretamente Sheeran pela maneira como a situação envolvendo o rapper foi conduzida.

Intitulada “Ed Who?”, em tradução livre “Ed quem?”, a publicação mostra Waters falando diretamente para a câmera e dividindo as pessoas, segundo sua própria avaliação, entre aquelas que fazem “a coisa certa” e aquelas que fazem “a coisa errada”. O músico colocou Macklemore no primeiro grupo e direcionou um insulto a Sheeran ao incluí-lo no segundo.
“Existem dois tipos de pessoas neste mundo, Ed. Existem as pessoas que fazem a coisa certa. O rapper Macklemore seria uma dessas pessoas”, afirmou Waters. Na sequência, o músico chamou Sheeran de “babaca” e encerrou a gravação.
O posicionamento de Waters acontece após Macklemore deixar as apresentações que faria como atração de abertura da “Loop Tour”. A controvérsia começou depois de shows realizados no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro, quando o rapper fez declarações em apoio aos palestinos, utilizou a expressão “Palestina livre” e apresentou “Hind’s Hall”, música ligada ao seu posicionamento sobre o conflito.
As manifestações provocaram reações de grupos e proprietários de locais que receberiam posteriormente a turnê. A promotora Messina Touring Group confirmou que diferentes estádios comunicaram que não aceitariam realizar as apresentações com Macklemore permanecendo no line-up.
Entre os envolvidos estava Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e do New England Patriots. Em declaração sobre o episódio, Kraft afirmou que a decisão envolvendo a participação do rapper em seu estádio estava relacionada tanto às manifestações recentes de Macklemore quanto ao que classificou como um histórico de retórica e imagens antissemitas consideradas ofensivas à comunidade judaica.
Ed Sheeran também se pronunciou sobre o caso e afirmou que a retirada de Macklemore não foi uma decisão tomada pessoalmente por ele. Segundo o cantor, a definição partiu dos promotores e dos locais que receberiam as apresentações. Sheeran disse ainda que participou de conversas na tentativa de encontrar uma solução que permitisse a continuidade da turnê sem a retirada do rapper, mas que a posição dos responsáveis pelos espaços foi mantida.
O britânico afirmou que possui opiniões pessoais sobre o conflito entre Israel e Palestina, mas opta por não transformá-las em posicionamentos públicos durante sua carreira. Sheeran também declarou que não pretendia cancelar os shows e prejudicar o público, a equipe e demais profissionais envolvidos na produção da turnê.
Macklemore, por sua vez, afirmou que as conversas com Sheeran ocorreram em meio a uma divergência sobre como lidar com a situação. O rapper mantém há anos um posicionamento público em apoio aos palestinos e continuou defendendo suas declarações feitas durante as apresentações.
A retirada do artista provocou outras mudanças na “Loop Tour”. Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe, que participariam de diferentes datas como atrações de abertura, anunciaram que não seguiriam na programação. A banda irlandesa Beoga, que também participava das apresentações de Sheeran, tomou a mesma decisão.
Os artistas atribuíram suas saídas à solidariedade a Macklemore e apresentaram diferentes críticas à decisão de impedir a continuidade do rapper nas apresentações. Finneas afirmou publicamente que artistas não deveriam ser silenciados ao se posicionarem em defesa de pessoas que consideram oprimidas.
É nesse contexto que Roger Waters passou a integrar publicamente a discussão. O músico responsabilizou Sheeran pela maneira como o episódio terminou, apesar da afirmação do cantor britânico de que a decisão final não estava sob seu controle.
Waters possui um longo histórico de manifestações políticas relacionadas a Israel e aos palestinos e tornou o tema uma parte recorrente de seus pronunciamentos públicos. Suas posições também já provocaram diferentes controvérsias e acusações de antissemitismo ao longo dos anos, caracterização que o músico rejeita.
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