Existe um álbum que não é só uma coleção de músicas, mas um marco pessoal e cultural para toda uma geração: “Pies Descalzos”, da Shakira, que completa 30 anos de lançamento nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2025. Para mim, no entanto, ele é muito mais do que um clássico; ele é o som da minha adolescência, das minhas primeiras aulas de espanhol e da minha paixão pela cultura latina.
Eu estava na sexta série em Araçatuba, interior de São Paulo, no ano de 1995/1996, quando a Shakira conquistou o mundo. Naquela época, o álbum já era um hit estrondoso no rádio e na TV. A internet quase não existia, mas a conexão se tornou profunda dentro da sala de aula.
Tive a sorte de ter uma professora de espanhol que também gostava de cultura. Ela não se contentava com a gramática só dos livros; ela trazia a vida real para as nossas aulas. E o veículo perfeito para isso era justamente a música.
Lembro como se fosse hoje: a professora distribuía as letras, as traduções e, de repente, éramos todos fluentes cantando. Não havia como não se envolver! O grande hit da vez era “Estoy Aquí”, e o refrão “Y estoy aquí, queriéndote, ahogándome / Entre fotos y cuadernos, entre cosas que no van…” grudava na mente.
Mas foi outro clássico do disco, que também chamávamos de CD, “Antología”, que nos trouxe um dos versos mais poéticos que usamos em aula: “Y aprendí a quitarle al tiempo los segundos…“. Enquanto cantávamos, estávamos, na verdade, conjugando os verbos e absorvendo o ritmo da língua.
Embora Shakira fosse um hit constante nas rádios e programas de TV, o sonho de vê-la em Araçatuba era distante. Ela estava em outra escala. Mas o álbum, com seu conteúdo, já havia feito o trabalho: “Pies Descalzos” me enriqueceu como estudante de espanhol por conta própria.
O que começou como o terceiro álbum de estúdio de uma jovem colombiana em 1995, rapidamente se tornou um fenômeno mundial e o disco que elevou Shakira ao estrelato global. O sucesso do álbum, que vendeu cerca de 5 milhões de cópias físicas, superando em muito a expectativa inicial da gravadora Sony Music, que era de apenas 100 mil cópias. culminou na Tour Pies Descalzos, a primeira turnê mundial da artista, que rodou o continente e consolidou sua base de fãs.
Entre 1996 e 1997, Shakira fez uma verdadeira maratona no Brasil, com cerca de 37 shows em diversas cidades. Muitos ingressos eram vendidos a preços extremamente acessíveis (como R$ 5), aproximando a artista do público brasileiro e solidificando uma relação que dura até hoje.
Trinta anos depois, “Pies Descalzos” permanece um clássico. Não só por seus números, mas porque, para muitos de nós em Araçatuba – hoje já não moro mais lá – e no mundo, ele foi o pontapé inicial de uma paixão, a trilha sonora do aprendizado e o nascimento de uma lenda latina.
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