Quando Shakira subir ao palco montado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2 de maio de 2026, para liderar o evento Todo Mundo no Rio, o momento terá peso simbólico. O megashow gratuito consolida uma relação construída ao longo de mais de 30 anos, marcada por turnês extensas, participações na televisão brasileira, parcerias musicais e uma entrega que sempre dialogou diretamente com o público do país.

Essa conexão começou ainda nos anos 1990. Entre 1996 e 1997, durante a turnê do disco “Pies Descalzos”, lançado em 1995, Shakira percorreu cerca de 40 cidades brasileiras. A rota foi muito além do tradicional eixo Rio–São Paulo. Passou por municípios como Uberlândia, Santo André, Barretos, Maringá e Bagé, em uma época em que artistas internacionais raramente ampliavam tanto o alcance territorial no Brasil. Os ingressos esgotados e a forte presença midiática ajudaram a consolidar uma base sólida de fãs logo no início de sua carreira internacional. Nesse período, a cantora também marcou presença em programas populares como Jô Soares Onze e Meia e Domingo Legal, além de aparições na MTV Brasil. Foi nesse contexto que decidiu aprender português para se comunicar melhor com o público local, gesto que fortaleceu ainda mais o vínculo afetivo.
Depois desse primeiro grande ciclo, houve um intervalo significativo. Quase 15 anos se passaram até que Shakira voltasse aos palcos brasileiros. Nesse hiato, a artista se transformou em um dos maiores nomes da música pop global, impulsionada por sucessos multilíngues e apresentações em escala mundial. O retorno ocorreu em 2011, com a turnê “Sale El Sol”. A cantora passou por Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, incluindo participação no Rock in Rio. Na capital fluminense, protagonizou um momento emblemático ao convidar Ivete Sangalo para interpretar “País Tropical”, clássico de Jorge Ben Jor. O anúncio foi feito em português, praticamente sem sotaque, reforçando a intimidade construída ao longo dos anos.
Em 2014, o Brasil voltou a fazer parte de um capítulo importante da carreira da artista. Após o impacto global de “Waka Waka” na Copa do Mundo de 2010, Shakira interpretou “La La La” como uma das músicas do Mundial de 2014. A apresentação no Maracanã, ao lado de Ivete Sangalo e Carlinhos Brown, durante a cerimônia de encerramento, colocou novamente a cantora no centro de um evento de proporção internacional sediado em território brasileiro.
Mais recentemente, em 2025, a artista escolheu São Paulo e Rio de Janeiro para abrir a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, baseada no disco homônimo lançado após seu conturbado rompimento com Gerard Piqué. A decisão de iniciar a turnê pelo Brasil funcionou como reconhecimento da força de seu público local. As apresentações tiveram ingressos esgotados rapidamente, demonstrando que a demanda por Shakira permanece consistente e massiva.
Agora, em 2026, o retorno acontece em outro formato. O Todo Mundo no Rio, evento que promove shows gratuitos nas areias de Copacabana, projeta reunir milhões de pessoas e terá transmissão pela TV Globo, Multishow e Globoplay. A escolha de Shakira como atração principal reforça o tamanho dessa conexão histórica.
O Brasil foi palco de momentos decisivos da trajetória da cantora. Foi território onde ela consolidou público fora do mercado hispânico, testou repertórios, dividiu palco com artistas nacionais e ampliou seu alcance cultural. A fluência em português, construída ao longo das décadas, tornou-se símbolo dessa aproximação.
A apresentação em Copacabana, portanto, ultrapassa o conceito de mais uma data na agenda. Representa a continuidade de um diálogo iniciado nos anos 1990 e mantido com consistência ao longo das décadas. Em um mercado cada vez mais competitivo e fragmentado, Shakira mantém no Brasil uma base fiel, numerosa e historicamente ativa, algo que poucas artistas internacionais conseguem sustentar por tanto tempo.
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