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Streaming vale a pena? Quanto o Spotify realmente paga aos artistas

Texto: Ygor Monroe
1 de janeiro de 2026
em Música, Streaming

O Spotify se consolidou como a principal vitrine da música global na última década. Estar na plataforma deixou de ser diferencial e passou a ser parte estrutural da carreira de qualquer artista. Com bilhões de streams registrados diariamente, surge uma pergunta inevitável: quanto dinheiro realmente chega ao bolso de quem cria música? A resposta exige contexto, números e entendimento do modelo de negócios do streaming.

Streaming vale a pena? Quanto o Spotify realmente paga aos artistas
“Un Verano Sin Ti”, de Bad Bunny, é o álbum mais ouvido da história do Spotify até o momento

Em média, o Spotify paga entre US$ 0,003 e US$ 0,005 por reprodução. Em valores aproximados, isso representa três a cinco centavos de real por stream, considerando a conversão e variações de mercado. Esse número serve como referência, já que o valor nunca é fixo. O pagamento depende de múltiplos fatores, como tipo de conta do ouvinte, país de origem da reprodução e acordos contratuais firmados pelo artista.

O Spotify opera com um modelo de distribuição proporcional. Toda a receita gerada na plataforma entra em um grande pool financeiro mensal. A partir desse montante, ocorre a divisão:

  • Cerca de 70% da receita vai para os detentores de direitos
  • Aproximadamente 30% fica com o Spotify, cobrindo operação, tecnologia e licenciamento

Dentro desses 70%, o valor segue sendo repartido entre diferentes partes da cadeia musical.

Quem recebe o dinheiro dos streams

Os detentores de direitos incluem:

  • Gravadoras
  • Distribuidoras
  • Editoras musicais
  • Compositores
  • Artistas intérpretes

Em contratos tradicionais, a gravadora costuma reter uma parcela significativa. Em muitos casos, até 58% do valor recebido, repassando ao artista algo entre 10% e 25%, dependendo do acordo firmado.

Além da gravação, existe o direito autoral da música. Cerca de 12% da receita total é destinada aos compositores e editoras. Desse montante, 25% costuma ficar com a editora, responsável pela administração e arrecadação dos direitos.

Na prática, 1 milhão de reproduções pode render algo entre R$ 1.500 e R$ 4.000 para o artista, considerando:

  • Percentual de streams vindos de contas premium
  • País onde as músicas foram ouvidas
  • Tipo de contrato com gravadora ou distribuidora

O número varia bastante e explica por que dois artistas com a mesma quantidade de streams podem receber valores muito diferentes.

Desde o fim de 2023, o Spotify passou a adotar regras mais rígidas. Em 2025, uma faixa precisa atingir pelo menos 1.000 streams em 12 meses para começar a gerar royalties. Além disso, uma reprodução só é contabilizada após 30 segundos de execução contínua.

A plataforma também implementou critérios para evitar distorções, como o uso de bots ou práticas artificiais. O próprio CEO, Daniel Ek, reforçou que o sistema impede tentativas de manipulação com músicas excessivamente curtas.

Embora o Spotify funcione a partir de um modelo técnico rígido, Taylor Swift mostrou que influência comercial também pode alterar a lógica econômica do streaming. A artista nunca mudou o algoritmo da plataforma, mas forçou ajustes estruturais ao confrontar diretamente o modelo vigente. Entre 2014 e 2017, ela removeu todo o seu catálogo do Spotify em protesto contra o sistema gratuito, defendendo que música possui valor econômico e simbólico e que o streaming, daquela forma, enfraquecia o trabalho artístico. O retorno aconteceu apenas quando a plataforma demonstrou maior disposição para negociação.

Em 2018, ao assinar com a Universal Music Group, Taylor incluiu uma cláusula histórica que obrigava a gravadora a distribuir parte do lucro obtido com a venda de suas ações do Spotify diretamente aos artistas do catálogo, sem desconto em dívidas contratuais. Em 2025, seu domínio dentro do sistema segue evidente: estimativas indicam cerca de US$ 136 mil gerados por dia apenas no Spotify, com um acumulado aproximado de US$ 103 milhões em royalties ao longo de 2024.

A regravação de seus discos, lançados como “Taylor’s Versions”, consolidou ainda mais esse controle, garantindo que a maior fatia dos royalties de gravação e composição fosse direcionada à própria artista. Mesmo concentrando uma parcela significativa do pool global de pagamentos, suas ações abriram precedentes reais para contratos mais equilibrados e discussões mais transparentes sobre remuneração no streaming.

Esse domínio fica ainda mais evidente quando se observa os 10 álbuns mais ouvidos da história do Spotify, um ranking que ajuda a entender como o volume de streams concentra poder dentro da plataforma. No topo absoluto está “Un Verano Sin Ti”, de Bad Bunny, consolidado como o álbum mais reproduzido da história do streaming, ultrapassando a marca de 21 bilhões de streams e mantendo números diários impressionantes. Na sequência aparecem fenômenos globais como “Starboy”, de The Weeknd, “÷”, de Ed Sheeran, e “Sour”, de Olivia Rodrigo, todos acima da casa dos 16 bilhões. A lista reforça a força de catálogos consistentes e do consumo contínuo, com artistas como The Weeknd e Dua Lipa aparecendo mais de uma vez no ranking, além de “Lover”, de Taylor Swift, que fecha o top 10 com quase 14 bilhões de reproduções. Esses números ajudam a explicar por que artistas desse porte concentram uma fatia expressiva do pool global de pagamentos do Spotify, influenciando diretamente a economia do streaming.

Vale a pena viver de streaming?

O streaming representa hoje um dos principais fluxos de receita da música digital. Ainda assim, ele funciona melhor como parte de um ecossistema, junto a shows, licenciamento, merchandising e redes sociais.

O crescimento no Spotify acontece de forma gradual. Carreira sustentável no streaming se constrói com constância, planejamento e entendimento claro das regras do jogo.

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Temas: MúsicaSpotifystreaming

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