Em 1986, enquanto os videogames ainda buscavam identidade própria, a Nintendo lançou um cartucho dourado que mudaria para sempre a forma como jogadores interagem com mundos digitais. “The Legend of Zelda” nasceu como um experimento criativo e rapidamente se transformou em uma das obras mais influentes da história do entretenimento eletrônico.

Criada por Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka, a série surgiu com uma proposta radical para a época: oferecer liberdade. Enquanto muitos jogos guiavam o jogador por caminhos rígidos, “The Legend of Zelda” convidava à exploração. O jogador podia se perder, descobrir segredos, errar, tentar novamente. Era menos sobre vencer fases e mais sobre viver uma jornada.
Desde o primeiro título lançado para o NES, a franquia estabeleceu os pilares que continuam sustentando seus jogos quatro décadas depois. O herói Link, um jovem guerreiro da raça Hylian, atravessa diferentes eras para proteger o reino de Hyrule e a princesa Zelda contra o avanço do vilão Ganon. Essa premissa simples escondia algo maior. “The Legend of Zelda” nunca contou uma única história. Ele contou versões eternas da mesma lenda.
A mitologia da série gira em torno da Triforce, relíquia criada pelas deusas Din, Farore e Nayru, representando Poder, Coragem e Sabedoria. Ao longo dos anos, cada jogo reinterpretou esse equilíbrio, transformando a narrativa em um ciclo quase mitológico. Link muda, Zelda muda, o tempo muda, mas o conflito permanece, criando uma sensação única de continuidade mesmo entre histórias independentes.
O impacto da franquia começou cedo. O primeiro jogo já introduzia algo revolucionário: um sistema interno de salvamento. Em um período dominado por experiências curtas, “The Legend of Zelda” permitia aventuras longas, pessoais e persistentes. O jogador voltava ao mesmo mundo, lembrava caminhos, reconhecia perigos e construía memória afetiva com aquele universo.
A fórmula se consolidou com “The Legend of Zelda: A Link to the Past”, que refinou a estrutura clássica da série. Overworld expansivo, cidades cheias de personagens, masmorras complexas e puzzles interligados criaram o modelo que definiria o gênero ação-aventura. Zelda deixou de ser apenas um jogo bem-sucedido e passou a ser referência estrutural para toda a indústria.
Em 1998, a franquia deu um salto histórico com “The Legend of Zelda: Ocarina of Time”. O título redefiniu o design tridimensional ao introduzir sistemas como o Z-Targeting, permitindo travar a mira em inimigos e objetos. Hoje parece natural, mas na época foi uma revolução silenciosa. Grande parte da linguagem moderna dos jogos em 3D nasceu ali.
Outro elemento fundamental sempre foi a música. O compositor Koji Kondo criou temas capazes de comunicar emoção sem necessidade de diálogos extensos. A icônica “Zelda Theme” tornou-se uma das melodias mais reconhecidas do mundo dos videogames, reforçando a ideia de que a trilha sonora em Zelda funciona como parte ativa da jogabilidade. Em “Ocarina of Time”, tocar música literalmente resolvia enigmas e movia a narrativa.
Ao longo das décadas, a série se reinventou diversas vezes. “The Legend of Zelda: The Wind Waker” apostou em estética cartunesca quando o realismo dominava o mercado. “The Legend of Zelda: Twilight Princess” respondeu com uma abordagem mais sombria. “The Legend of Zelda: Skyward Sword” explorou controles por movimento. Cada novo Zelda funciona como laboratório criativo da própria Nintendo.
O ponto de virada mais recente veio em 2017 com “The Legend of Zelda: Breath of the Wild”. O jogo abandonou estruturas tradicionais e abraçou o conceito de mundo aberto baseado em física realista e liberdade absoluta. O jogador passou a criar soluções próprias em vez de seguir respostas prontas. Foi menos uma evolução e mais uma reinvenção completa da filosofia da série.
O sucesso continuou com “The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom”, ampliando sistemas de construção e interação ambiental. A franquia demonstrou algo raro na indústria: envelhecer sem se tornar previsível.
Ao completar 40 anos, “The Legend of Zelda” acumula mais de 149 milhões de cópias vendidas e múltiplos jogos considerados entre os melhores de todos os tempos. Títulos como “Ocarina of Time”, “The Wind Waker”, “Breath of the Wild” e “Tears of the Kingdom” receberam pontuações perfeitas e influenciaram gerações inteiras de desenvolvedores.
Criadores de franquias como “Grand Theft Auto”, “The Witcher” e “Dark Souls” já citaram Zelda como referência direta. A série se tornou um verdadeiro manual de design de jogos, ensinando como equilibrar exploração, narrativa e mecânica sem sacrificar a sensação de descoberta.
Talvez o maior segredo do sucesso esteja justamente em algo simples. “The Legend of Zelda” nunca tratou o jogador como espectador. Cada título convida o público a participar da construção da aventura. O silêncio de Link permite projeção emocional. O mundo reage à curiosidade. O progresso nasce da experimentação.
Quarenta anos depois, Hyrule continua sendo visitada por novas gerações que talvez nem tenham nascido quando o primeiro cartucho dourado chegou às lojas. E ainda assim, a sensação permanece familiar.
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