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Vince Gilligan troca o crime de “Breaking Bad” por outra obsessão em “Pluribus”

Desde a estreia de “Pluribus”, uma pergunta passou a circular com força entre fãs de televisão e admiradores de narrativas complexas: até que ponto a nova série dialoga com “Breaking Bad”? A resposta passa menos por continuidade direta e mais por um parentesco criativo cuidadosamente construído, que respeita a autonomia da nova obra sem romper completamente com o imaginário criado por Vince Gilligan ao longo das últimas duas décadas.

Por que “Pluribus” soa familiar para fãs de “Breaking Bad”

O elo mais evidente está no criador. Vince Gilligan, responsável por transformar “Breaking Bad” em um marco da televisão contemporânea, leva para “Pluribus” o mesmo rigor narrativo, a mesma atenção obsessiva aos detalhes e a mesma confiança no espectador. Mesmo inserida em um território de ficção científica, a série preserva uma assinatura autoral reconhecível, baseada em conflitos morais claros, dilemas éticos desconfortáveis e escolhas que sempre cobram um preço.

Outro ponto central dessa conexão surge na presença de Rhea Seehorn. Após eternizar Kim Wexler em “Better Call Saul”, a atriz assume o protagonismo de “Pluribus” no papel de Carol, uma personagem que carrega camadas emocionais densas e complexas. A escolha de Seehorn reforça a sensação de continuidade simbólica, criando uma ponte emocional imediata com o público que acompanhou o universo de “Breaking Bad”. Não se trata de repetição, mas de uma evolução natural da colaboração entre atriz e criador.

As conexões ficam ainda mais evidentes nos easter eggs espalhados pela narrativa. A menção à companhia aérea Wayfarer, diretamente associada a um dos momentos mais traumáticos de “Breaking Bad”, funciona como um aceno claro aos fãs atentos. Esses detalhes jamais dominam a história, mas atuam como sinais de cumplicidade, sugerindo a existência de universos paralelos que compartilham símbolos, memórias e cicatrizes.

A ambientação inicial em Albuquerque, Novo México, aprofunda essa relação. A cidade, praticamente um personagem em “Breaking Bad”, retorna como cenário em “Pluribus”, ainda que Gilligan tenha demonstrado resistência em repetir esse elemento. A escolha acaba funcionando como um equilíbrio delicado entre familiaridade e renovação, mantendo o reconhecimento visual sem aprisionar a série ao passado.

No campo temático, o diálogo entre as obras ocorre de forma mais conceitual. “Breaking Bad” mergulhava no submundo do crime para discutir poder, ego e transformação moral. Já “Pluribus” desloca esse debate para outro eixo, investigando ideias como felicidade forçada, controle social e perda da individualidade. O ponto de encontro está na forma como Gilligan utiliza situações extremas para refletir sobre a condição humana, sempre evitando respostas fáceis.

Esse cuidado narrativo ajuda a explicar o impacto da série desde sua estreia no Apple TV+. Lançada em 7 de novembro de 2025, “Pluribus” rapidamente se tornou um fenômeno cultural, superando a segunda temporada de “Ruptura” e conquistando o posto de maior lançamento dramático da história da plataforma. Em 12 de dezembro, o serviço confirmou oficialmente que a produção se tornou a série mais assistida de todo o catálogo, mesmo antes do encerramento da temporada, previsto para 26 de dezembro.

O sucesso também se reflete na recepção crítica. Com 98% de aprovação, a série consolidou-se como um raro exemplo de produção que alia ambição conceitual, apelo popular e respeito ao público. Vince Gilligan já projeta pelo menos quatro temporadas, indicando confiança plena na longevidade da história e na complexidade do universo apresentado.

No elenco, além de Rhea Seehorn, destacam-se Karolina Wydra, Carlos-Manuel Vesga, além das participações de Miriam Shor e Samba Schutte, compondo um conjunto que reforça a densidade dramática da narrativa.

No fim, a relação entre “Pluribus” e “Breaking Bad” pode ser resumida como uma herança criativa bem administrada. Gilligan olha para trás com respeito, mas segue em frente com ousadia, oferecendo aos fãs antigos referências reconhecíveis e, ao mesmo tempo, apresentando uma série capaz de se sustentar por méritos próprios. Para quem acompanhou Walter White até suas últimas consequências, “Pluribus” surge como um novo convite para questionar até onde a busca por controle e felicidade pode levar.

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