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Como o luto atravessou o processo criativo de Gigi Perez

Existe algo irredutivelmente íntimo na forma como Gigi Perez compõe. O ouvinte atento percebe que suas canções não são feitas para preencher um espaço nas plataformas, mas para ocupar uma ausência dentro dela. E foi justamente o luto que deu contorno ao seu primeiro álbum, “At the Beach, in Every Life”, lançado em abril de 2025. Nele, Gigi encontra um meio de acessar camadas profundas da dor pela perda da irmã mais nova, Celene, transformando o vazio em arte.

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Como o luto atravessou o processo criativo de Gigi Perez

Durante passagem pelo Brasil, onde abriu a turnê de Hozier, Gigi falou sobre essa travessia emocional com uma lucidez rara. “É um daqueles sonhos que tenho desde que escrevi minha primeira música, quando tinha 15 anos. Estar em turnê com uma artista que sempre adorei, ao lado da minha família, é surreal”, afirmou. A mãe e a irmã mais velha estavam com ela nos bastidores, como sempre estiveram ao longo dessa jornada.

Mas o brilho da conquista carrega também a sombra da ausência. Quando minha irmã faleceu, eu sentia que não existia nenhuma música com a qual eu realmente me identificasse”, disse. “Como alguém que processa sentimentos por meio da música, isso foi muito difícil. Demorou anos para conseguir destrinchar o luto. Ainda hoje não entendo tudo, mas poder colocar certos sentimentos dentro das canções exigiu muito.” É por isso que faixas como “Fable” e “Sugar Water” se tornaram pontos de contato com fãs que também enfrentaram perdas e Gigi se diz comovida ao perceber o tamanho da comunidade que se formou em torno dessas dores partilhadas.

Escrever sobre o luto foi uma maneira de não me sentir tão sozinha. Gravar as vozes da Celene, extrair trechos de vídeos dela no YouTube, usar áudios de mensagens antigas… tudo isso surgiu de forma natural. E hoje eu vejo o disco como um lugar onde as digitais dela estão por toda parte

O álbum também marca uma virada técnica importante em sua carreira. Depois de passar por diferentes produtores, Gigi assumiu o controle total da produção. “Estar no banco da frente, produzindo eu mesma, me conectou de uma forma nova com as músicas. Quando alguém escuta esse álbum, está escutando meu DNA. Meu som, minha impressão digital.”

O silêncio também se tornou um elemento essencial. Algumas faixas respiram entre versos e acordes, sem a pressa de preencher cada segundo. “Acho que isso vem de ter sido uma esponja musical. Ouvi de tudo durante a vida. E os momentos instrumentais ou de silêncio realmente me movem, me afetam. Por isso gosto de compor assim, dando espaço para o que não é dito.

Gigi Perez transformou dor em conexão, ausência em presença e silêncio em linguagem. E “At the Beach, in Every Life” é, talvez, seu gesto mais preciso nesse caminho: um disco que, ao mesmo tempo, embala e expõe as feridas que definem o que é viver.

Confira entrevista completa disponível em nosso canal do YouTube.

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