Há algo curioso em “A Casa Mágica da Gabby – O Filme”. Por trás do arco-íris de purpurina e das músicas ensolaradas, o longa carrega uma sensibilidade que vai além do universo infantil que o molda. É uma aventura pensada para os pequenos, mas embalada por uma estética tão exageradamente vibrante que, em certos momentos, parece uma viagem dentro da cabeça de uma criança colorida, imprevisível e emocionalmente sincera.
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A trama é simples, e é justamente aí que mora parte de seu charme. Gabby, interpretada por Laila Lockhart Kraner, viaja com a avó Gigi (vivida por Gloria Estefan) quando sua valiosa casa de bonecas cai nas mãos da excêntrica Vera (Kristen Wiig). O que segue é uma jornada que mistura imaginação e urgência, enquanto Gabby e seus companheiros felinos embarcam em uma missão para recuperar o que foi perdido. Tudo parece saído de um sonho infantil e é exatamente essa lógica que o filme abraça, sem medo de ser lúdico demais.
A animação é o coração pulsante do projeto. Cada cena é um desfile de brilhos, cores saturadas e movimento constante, quase como se o filme temesse o silêncio. Essa estética visualmente caótica pode ser exaustiva para os adultos, mas é irresistível para o público que realmente importa aqui: as crianças. Há um encanto no exagero, uma alegria ingênua que não se explica racionalmente, e o longa entende isso muito bem.
Kristen Wiig, como sempre, injeta carisma e energia em qualquer papel que toque. Sua Vera é uma vilã peculiar, menos por ser malvada e mais por viver em um universo completamente próprio. Wiig domina a arte de transformar personagens excêntricos em algo cativante, e aqui não é diferente. Já Laila Lockhart Kraner traz uma naturalidade tão grande à protagonista que é fácil se deixar levar por sua empolgação e doçura.
É inegável que o filme se estende um pouco mais do que deveria em seu terceiro ato. Há um momento em que a história parece girar em torno de si mesma, como se o roteiro tentasse encontrar um novo conflito em um enredo que já havia se resolvido emocionalmente. Ainda assim, é difícil ser severo com uma obra que transborda boas intenções e entrega exatamente o que promete: uma aventura doce, visualmente encantadora e feita com cuidado.
“A Casa Mágica da Gabby – O Filme” é como uma sobremesa de fast food: divertida, colorida, satisfatória no momento, mas esquecida assim que os créditos sobem. Isso, porém, não é um defeito é uma característica de um cinema voltado à infância, que vive do instante, da fantasia e da alegria de ver o impossível ganhar forma. Para quem cresceu com desenhos que conversavam diretamente com o público, há algo nostálgico e reconfortante nesse tipo de narrativa que ainda acredita no poder da imaginação como ferramenta de descoberta.
Por mais que não traga grandes ambições cinematográficas, o longa cumpre sua missão com leveza e carinho. E talvez seja justamente essa honestidade que o torna simpático até para os adultos que, entre uma risada e outra, acabam se lembrando de quando acreditavam que os brinquedos tinham vida própria.
“A Casa de Bonecas da Gabby – O Filme”
Direção: Ryan Crego
Elenco: Laila Lockhart Kraner, Kristen Wiig, Carla Tassara, Gloria Estefan, Tina Ukwu, Juliet Donenfeld e Maggie Lowe
Disponível em: cinemas a partir de 9 de outubro de 2025
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