“A Noite Sempre Chega” é um daqueles filmes que tentam abraçar várias camadas de gênero ao mesmo tempo, mas acabam presos entre intenções e execução. A proposta mistura drama social, suspense e até ecos de thriller urbano, mas o resultado transita mais pela irregularidade do que pela contundência. Ainda assim, a obra encontra sustentação em uma atmosfera carregada e, principalmente, na força magnética de Vanessa Kirby.
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A narrativa se estrutura em torno da luta desesperada de uma jovem diante de um abismo financeiro e familiar. O retrato social está ali, com ênfase no colapso das estruturas mais básicas e na pressão sufocante que empurra a protagonista para escolhas cada vez mais questionáveis. A sensação de urgência é constante, mas raramente se traduz em tensão verdadeira. Em vez de criar uma progressão de suspense, o filme prefere se dispersar em situações improváveis e encontros que soam forçados.
Ainda assim, há méritos inegáveis. O filme encontra momentos de potência quando se entrega à densidade da sua protagonista. Vanessa Kirby sustenta a narrativa com intensidade, oscilando entre fragilidade e fúria, e dá vida a uma personagem que poderia facilmente se perder no mar de contradições do roteiro. A atuação dela é o elemento que impede a obra de colapsar por completo.
A direção de Benjamin Caron também merece atenção. Embora careça de um pulso mais incisivo, consegue criar uma atmosfera sombria que remete ao cinema noir contemporâneo. Há um esforço em estabelecer ritmo, e mesmo nas passagens menos convincentes, existe um olhar consistente para a decadência das cidades e para a precariedade das relações humanas. É nesse cenário que o filme tenta se posicionar como retrato social, ainda que não alcance toda a potência crítica que parece ambicionar.
Comparações com obras mais ousadas do gênero, como os filmes dos irmãos Safdie, evidenciam a limitação do projeto. “A Noite Sempre Chega” carece de uma visão autoral mais corajosa, que assumisse de vez o risco de ser intenso e desconfortável. Em vez disso, o longa alterna entre momentos de impacto e outros em que a narrativa se arrasta, quase pedindo para ser encerrada.
No entanto, apesar da irregularidade, existe algo de vibrante na forma como o caos se impõe na tela. A sucessão de acontecimentos pode soar absurda, mas há uma energia crua que mantém o espectador atento. Quando o drama familiar ganha espaço, o filme encontra seu ponto mais honesto, e é nesse contraste que se revela a verdadeira força da obra: o peso emocional sustentado pela atuação de Kirby.
No fim das contas, “A Noite Sempre Chega” é um filme imperfeito, cheio de desvios, mas com uma intensidade que não deve ser ignorada. É uma experiência marcada mais pela performance do que pelo roteiro, mas ainda assim carrega um retrato amargo de sobrevivência em meio ao desespero. Para quem busca um cinema que não oferece conforto, mas sim inquietação, pode ser uma escolha válida, mesmo que irregular.
“A Noite Sempre Chega”
Direção: Benjamin Caron
Roteiro: Sarah Conradt
Elenco: Vanessa Kirby, Randall Park, Jennifer Jason Leigh
Disponível em: Netflix
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