“A Pior Pessoa do Mundo” não é apenas um filme sobre relacionamentos, juventude ou escolhas mal feitas. É um retrato cru e dolorosamente honesto de um período da vida em que tudo parece possível e, ao mesmo tempo, nada parece suficiente. Joachim Trier constrói uma narrativa que funciona como espelho, refletindo tanto a melancolia quanto o desespero de quem percebe que viver é aceitar a constante sensação de incompletude.
- Novos dispositivos Roku chegam ao Brasil com design compacto e desempenho aprimorado
- Globoplay promove experiência imersiva de “Dias Perfeitos” em SP
- Lollapaloozza Brasil 2026: tudo sobre a venda oficial do Lolla Pass

Dividido em prólogo, epílogo e 12 capítulos, o longa acompanha Julie, vivida por Renate Reinsve em uma atuação arrebatadora. Julie é jovem, inteligente, cheia de promessas e sem direção. Muda de curso, muda de profissão, muda de namorado. Conhece Aksel, um quadrinista mais velho, se apaixona e mergulha nessa relação. Depois, encontra Eivind, um barista aparentemente banal, mas que a seduz justamente por oferecer a promessa de algo diferente. Entre esses dois encontros, o que se coloca em jogo não são apenas decisões amorosas, mas a própria busca de identidade de uma mulher que precisa, acima de tudo, se escolher.
O filme poderia se limitar a um drama romântico convencional, mas Trier vai muito além. O que torna “A Pior Pessoa do Mundo” tão devastador é a sua capacidade de traduzir o banal em algo profundamente existencial. Cada gesto, cada dúvida e cada mudança de direção são tratados com um peso que só quem já sentiu a angústia de não caber na própria vida consegue compreender.
Há cenas que se gravam na memória pela ousadia formal e pela delicadeza com que transformam sentimentos em imagens. O tempo que congela, o delírio da alucinação, a forma como os diálogos ganham intensidade sem parecer artificiais. Trier brinca com a linguagem cinematográfica para reforçar a ideia de que as experiências mais íntimas são também as mais universais. A vida de Julie é particular, mas é impossível não se enxergar em suas contradições.
Renate Reinsve entrega uma performance de rara potência. Ela não interpreta Julie, ela é Julie. Cada sorriso, cada hesitação, cada lágrima parece nascer de dentro, sem qualquer artifício. É impossível não se deixar envolver por sua presença magnética, que carrega o filme inteiro nos ombros. Anders Danielsen Lie e Herbert Nordrum completam o triângulo amoroso com performances igualmente sensíveis, mas sempre orbitando em torno dessa protagonista que rouba a cena em todas as aparições.
O roteiro, escrito por Trier em parceria com Eskil Vogt, equilibra humor e drama com uma naturalidade impressionante. Há momentos de leveza que arrancam risos sinceros, seguidos de cenas que esmagam pela dureza com que lembram o espectador da fragilidade da vida. A doença, a passagem do tempo, os fracassos acumulados e a urgência de encontrar sentido em meio ao caos compõem um painel humano que é ao mesmo tempo particular e universal.
“A Pior Pessoa do Mundo” é um daqueles filmes que desmontam o espectador sem apelar para manipulações baratas. Sua força está na autenticidade. Na coragem de olhar para a confusão, para os erros e para os abismos internos sem oferecer soluções fáceis. Ao contrário, o filme parece dizer que não há respostas definitivas, apenas a necessidade de seguir em frente mesmo sem saber para onde.
“A Pior Pessoa do Mundo”
Direção: Joachim Trier
Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt
Elenco: Renate Reinsve, Anders Danielsen Lie, Herbert Nordrum
Disponível em: Prime Video
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






