Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
Sem resultados
Ver todos os resultados

Crítica: “Acabe Com Eles” (Bring Them Down)

Texto: Ygor Monroe
8 de abril de 2025
em Cinemas/Filmes, MUBI, Resenhas/Críticas, Streaming

O longa de estreia de Christopher Andrews, “Acabe Com Eles”, aposta em um drama rural tenso e sombrio, que conjuga a brutalidade da natureza com o silêncio das emoções reprimidas. Filmado com uma contenção atmosférica que remete imediatamente ao naturalismo de “God’s Own Country” e à intensidade psicológica de “The Banshees of Inisherin“, o filme estabelece um microcosmo violento e emocionalmente devastado, onde a tensão não vem de confrontos diretos, mas daquilo que não é dito, daquilo que se acumula.

Saiba o que chega aos cinemas em abril de 2025

Crítica: "Acabe Com Eles" (Bring Them Down)
Crítica: “Acabe Com Eles” (Bring Them Down)

A estrutura dramática gira em torno de Michael (Christopher Abbott), um homem emocionalmente paralisado pela culpa e pela solidão, vivendo à sombra de um pai doente (Colm Meaney) e à margem de uma comunidade em que o isolamento físico espelha o isolamento emocional. O roteiro se desenvolve com contenção verbal e peso simbólico: os diálogos são esparsos, mas carregados. As interações entre personagens funcionam como extensões de seus conflitos internos, sendo a relação entre pai e filho o eixo emocional e psicológico mais carregado do filme. A rigidez entre eles, baseada em silêncios opressivos, demonstra a corrosão de gerações marcadas pela dureza do campo e pela ausência de um vocabulário afetivo.

O principal mérito de Andrews está na forma como insere o espectador nesse ecossistema emocional disfuncional. O uso da violência é simbólico e constante: ela surge nos gestos contidos, nos olhares, nos acidentes e nas ações deliberadas. A sequência em que Michael descobre suas ovelhas brutalmente mutiladas não apenas estabelece o ponto de inflexão da narrativa, como sintetiza visualmente a degradação emocional do personagem. A escolha de não matar os animais, mas apenas deixá-los feridos, sugere um tipo de violência que deseja perpetuar o sofrimento. É um gesto cruel e simbólico o filme não busca só gerar choque, mas comunicar que algo irrecuperável foi rompido. A mutilação das ovelhas funciona como metáfora direta do próprio estado interno de Michael: ferido, prostrado, porém ainda consciente.

A relação entre Michael e a família rival (especialmente o filho Jack) é construída com ambiguidade. O filme evita soluções fáceis, o que amplia sua complexidade dramática. Ainda que o público seja induzido a adotar o ponto de vista de Michael, o roteiro se recusa a definir claramente os antagonismos. Há sempre uma hesitação, uma dúvida sobre quem são os verdadeiros culpados e isso reforça a ideia de que a tragédia está menos nas ações objetivas e mais nos processos emocionais mal resolvidos.

A fotografia é um dos pontos altos. O diretor de fotografia constrói um retrato gélido e contemplativo do campo, onde a beleza natural é recortada por um tom cinzento e invernal. Esse visual não romantiza o ambiente rural, mas o transforma em espaço de desgaste e conflito. Cada tomada amplia a sensação de claustrofobia emocional, ainda que se passe em paisagens abertas. Esse contraste entre o espaço geograficamente amplo e o aprisionamento psicológico é explorado de forma muito competente.

Christopher Abbott, em uma das interpretações mais maduras de sua carreira, incorpora em Michael um homem em erosão silenciosa. Sua performance é de extrema contenção: seu corpo, seus olhos e suas pausas dizem muito mais que qualquer linha de diálogo. Barry Keoghan, por sua vez, entrega mais uma performance magnética e instável, explorando a ambiguidade de um personagem que nunca se revela por completo. O embate entre os dois carrega o filme com um tipo de tensão emocional que se sustenta mesmo quando o ritmo narrativo desacelera.

“Acabe Com Eles” é um estudo sobre a culpa, a raiva, a herança emocional e a impossibilidade de fuga do próprio passado. É um filme sobre homens marcados por perdas que não conseguem ser verbalizadas, que apenas reverberam em gestos de violência e afastamento. O conflito não é apenas entre famílias, mas dentro de cada personagem, entre o desejo de conexão e a inabilidade emocional cravada por gerações de repressão.

Disponível na MUBI, o longa se destaca como uma estreia impressionante de Christopher Andrews e como mais um exemplar potente do drama rural europeu. Trata-se de uma obra seca, crua e rigorosa que rejeita o sentimentalismo fácil e, por isso mesmo, atinge níveis mais profundos de impacto.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Compartilhe isso:

  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...
Temas: CinemaCríticaResenhaReview

Conteúdo Relacionado

Cinemas/Filmes

Filme sobre Michael Jackson pode estrear com até US$ 100 milhões nos EUA

Texto: Eduardo Fonseca
27 de março de 2026
Música

Crítica: Melanie Martinez, “Hades”

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026
Crítica: "O Bad Boy e Eu 2" (Sidelined 2: Intercepted)
Amazon Prime Video

Crítica: “O Bad Boy e Eu 2” (Sidelined 2: Intercepted)

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026
Netflix

Crítica: “Algo Horrível Vai Acontecer” (Something Very Bad Is Going To Happen) – primeira temporada

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026
Paramount+

Crítica: “Marshals: Uma História de Yellowstone” (Marshals) – primeira temporada

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Velhos Bandidos”

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026
Música

Crítica: Robyn, “Sexistential”

Texto: Ygor Monroe
27 de março de 2026

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

%d