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Crítica: Alex Warren, “You’ll Be Alright, Kid”

É quase um fenômeno da era digital: um artista viraliza com uma ou duas faixas, assina com uma grande gravadora, entrega um EP razoavelmente bem-sucedido e, um ano depois, se lança ao mar aberto de um álbum completo como se fosse inevitável. Alex Warren seguiu esse caminho à risca. Depois do EP “You’ll Be Alright, Kid (Chapter 1)”, que navegou bem nas paradas internacionais e embalou o hit “Ordinary”, o cantor aposta em um disco duplo de 21 faixas que carrega o mesmo nome, mas carece de identidade, consistência e qualquer sinal vital de criatividade musical.

Crítica: Alex Warren, “You’ll Be Alright, Kid”

“You’ll Be Alright, Kid” é um pop genérico inflado que soa como uma colagem de sobras descartadas de outros artistas. A produção tem brilho, mas é um brilho plástico, derivativo, que tenta se sustentar em fórmulas batidas e refrões que soam prontos para trilhas de TikTok mas falham até nesse quesito. O álbum caminha por uma sonoridade que mistura pop radiofônico e um country diluído, mas nunca se firma em nenhuma dessas linguagens. Parece mais um compilado de tentativas do que um projeto coeso.

Há momentos em que o disco tenta soar vulnerável ou emocional, como em “Bloodline”, parceria com Jelly Roll, mas o resultado é constrangedor. A voz de Warren, limitada e frequentemente processada ao extremo, não tem potência dramática para sustentar baladas confessionais nem carisma suficiente para tornar as faixas dançantes memoráveis. O mesmo vale para a participação de Rosé, que passa despercebida diante de um material que pouco oferece espaço para interpretações marcantes.

O grande problema do álbum não está só na execução, mas na falta de propósito. É como se cada faixa existisse apenas porque precisava preencher um cronograma, cumprir um contrato ou alimentar um algoritmo, e não porque havia algo a ser dito ou sentido. A sensação é de estar ouvindo a mesma música repetidamente: versos intercambiáveis, progressões harmônicas idênticas, produções genéricas e letras que soam como cópias de cópias de emoções fabricadas.

Warren não entrega um disco ruim porque tenta e fracassa. Ele entrega um disco ruim porque parece nunca tentar de fato. Falta densidade, originalidade e, acima de tudo, coragem. O artista não arrisca, não provoca, não emociona. Fica em cima do muro entre o sentimentalismo raso e a ambição comercial, e acaba derrubado por sua própria irrelevância.

Mesmo com o aparato de uma grande gravadora, estratégias promocionais agressivas (como a estreia do disco em milhares de restaurantes Chipotle nos EUA) e métricas anteriores promissoras, “You’ll Be Alright, Kid” soa como um produto que não consegue disfarçar o vazio que carrega. Um pop fabricado para funcionar, mas que nunca conecta.

Se o objetivo era provar que Alex Warren poderia se sustentar como artista além das redes sociais, o resultado final faz justamente o contrário: expõe as fragilidades de um nome que ainda não entendeu o que quer ser. O que sobra é um álbum esquecível, sem alma, que confirma um dos piores temores da indústria atual: a substituição de arte por algoritmo.

Nota: 18/100 | Alex Warren, “You’ll Be Alright, Kid”

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