“Amor Enrolado” parece, à primeira vista, só mais uma comédia romântica adolescente feita para repetir fórmulas. Mas basta alguns minutos para perceber que existe um cuidado quase artesanal na forma como a história trabalha os clichês. A trama acompanha Park Se-Ri, que convive com a insegurança em torno do próprio cabelo cacheado enquanto atravessa o turbilhão do ensino médio, paixões platônicas e pequenas rivalidades. O ponto de partida é simples, mas o filme o transforma em algo maior: um retrato de juventude que não teme abraçar a ingenuidade e o drama exagerado que só a adolescência é capaz de oferecer.
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O que torna essa experiência interessante é justamente a escolha por um olhar naturalista. O elenco não parece saído de um comercial de shampoo, as expressões são humanas e o excesso melodramático é calculado para soar verdadeiro. Existe uma graça especial em ver como os atores encarnam arquétipos clássicos do romance colegial, mas sem transformá-los em caricatura. Se-Ri, mesmo exagerando em alguns momentos de tom, acaba conquistando pela proximidade. E Han Yoon-Seok, o aluno novo, funciona como aquele contraponto sereno que segura a narrativa com sua aura de “green flag”.
Do ponto de vista técnico, “Amor Enrolado” não inventa nada revolucionário, mas domina a linguagem do teen drama com precisão. A fotografia aposta em cores suaves que reforçam a nostalgia, e a direção de Sun Namkoong prefere o registro direto ao virtuosismo. O ritmo, ainda que perca um pouco da mão no último terço, mantém a promessa de entregar um filme que mais quer emocionar do que impressionar. Há buracos narrativos, claro, mas são sutis o bastante para não comprometer a experiência.
O ponto mais curioso está na forma como o tema do cabelo cacheado é tratado. Ele surge como símbolo da insegurança da protagonista, mas não vira eixo dramático pesado. A obra escolhe não demonizar essa característica, o que a torna mais leve e universal. O romance, nesse sentido, cresce como mensagem de aceitação: não importa se o fio é liso ou enrolado, o que importa é como se encara a própria identidade.
O filme é quase uma cápsula de juventude guardada em vidro, pronta para ser aberta quando a vida adulta pesa demais. Ele funciona como um lembrete de que a inocência também é parte fundamental da memória coletiva do cinema adolescente. O final, ainda que previsível, entrega a recompensa emocional que o espectador espera e se mantém fiel ao espírito romântico que sustenta toda a obra.
“Amor Enrolado” é para quem entende que o cinema leve também tem um valor inestimável: o de fazer sorrir sem culpas, de oferecer um pouco de esperança em tempos onde o realismo cru domina as telas. Não é um filme que busca revolução estética, mas um que defende a beleza da simplicidade. E às vezes, é justamente aí que mora a força de uma boa comédia romântica.
“Amor Enrolado”
Direção: Sun Namkoong
Elenco: Shin Eun-Soo, Myoung Gong, Cha Woo-Min, Kang Mi-Na
Disponível em: Netflix
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