O cinema de ação vive de repetições, mas também de pequenos respiros que lembram por que esse gênero segue fascinante mesmo quando opera no piloto automático. “Cães de Guerra”, dirigido por Isaac Florentine, tenta jogar dentro das regras conhecidas do jogo e, em alguns momentos, arrisca a mostrar lampejos de um passado em que o diretor era referência dentro do cinema de artes marciais e produções diretas para vídeo. Só que a engrenagem aqui gira sem a mesma força de outrora, entregando um produto que se sustenta em sua competência básica, mas raramente ultrapassa a barreira do previsível.
- Crítica: “A Namorada Ideal” (The Girlfriend) – primeira temporada
- The Town 2025: acertos e erros da segunda edição do festival
- Final explicado de “As Mortas”

A trama é simples, quase esquemática: Ryder, vivido por Frank Grillo, é o mercenário sobrevivente de uma emboscada e decide iniciar sua jornada de vingança contra os responsáveis pela traição que incluem o próprio presidente. Esse mote poderia facilmente render um suspense de impacto ou uma narrativa explosiva, mas o roteiro prefere percorrer um caminho familiar, reciclado de outros thrillers de ação. O filme até sugere uma atmosfera de conspiração política, porém não encontra fôlego para desenvolver além do essencial.
O que sustenta “Cães de Guerra” é a energia do elenco. Frank Grillo assume a dianteira como anti-herói endurecido, mesmo sem a intensidade necessária para marcar o personagem. Robert Patrick encarna um vilão burocrático e exagerado, enquanto Rhona Mitra surge em uma participação eficiente, trazendo alguma vitalidade às cenas de confronto. Há também espaço para Mike Möller, que entrega boas sequências físicas e até insere uma citação visual a “Duro de Matar”, mostrando como o longa depende de referências para se manter de pé.
Florentine, que no passado elevou o nível das produções de ação B com títulos como “Ninja 2: Shadow of a Tear” e a franquia “Undisputed”, retorna após um hiato de quatro anos. No entanto, a direção aqui parece contida, sem a mesma ousadia coreográfica que o consagrou. As cenas de tiroteio cumprem sua função, mas carecem de inventividade. Os confrontos corpo a corpo são curtos, objetivos e não exploram o talento marcial dos envolvidos, o que pode frustrar quem esperava mais vigor técnico.
Visualmente, a fotografia explora bem os cenários de Malta, que funcionam como pano de fundo turístico, ainda que a trama jamais aproveite esse recurso para criar atmosfera. A trilha sonora acompanha os momentos de ação sem marcar presença, funcionando mais como preenchimento do que como elemento narrativo. Tudo em “Cães de Guerra” parece girar em torno de um padrão mínimo de entrega, evitando erros graves, mas também evitando qualquer risco.
No fim, o longa funciona para um público específico: fãs incondicionais de Frank Grillo ou admiradores das produções de Isaac Florentine que se dispõem a aceitar algo aquém de seus melhores trabalhos. Quem busca um espetáculo de ação inventivo ou uma história envolvente provavelmente verá em “Cães de Guerra” mais uma peça esquecível em meio ao mar de produções lançadas no streaming. O filme não é um desastre, mas está longe de ser memorável, e talvez esse seja seu maior problema: a indiferença que desperta após os créditos.
“Cães de Guerra”
Direção: Isaac Florentine
Elenco: Frank Grillo, Robert Patrick, Rhona Mitra, Mike Möller
Disponível em: Prime Video
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






