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Crítica: “Cloud – Nuvem De Vingança” (Cloud)

Texto: Ygor Monroe
24 de julho de 2025
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Existe um tipo de horror que se alimenta das miudezas do cotidiano. Aquele que não grita, mas corrói. Que começa com cliques, promoções recusadas, caixas empilhadas num canto do apartamento e, de repente, está debaixo da pele, da porta, do carpete, transformando uma vida comum em um campo de guerra virtual. “Cloud – Nuvem de Vingança”, novo longa de Kiyoshi Kurosawa, parte dessa premissa: o monstro digital saiu da tela. E ele está vindo atrás de quem clicou demais.

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Crítica: "Cloud – Nuvem De Vingança" (Cloud)
Crítica: “Cloud – Nuvem De Vingança” (Cloud)

Kurosawa nunca foi um diretor previsível. Dos terrores existenciais de “Pulse” aos assassinatos ritualísticos de “Cure”, o cineasta sempre preferiu o incômodo lento ao susto barato. Em “Cloud”, ele reconecta sua obsessão por isolamento, culpa e vigilância a um tema mais complexo: a banalidade do mal digital. Aqui, o horror não vem de fantasmas, mas de e-mails, fóruns, rastros de IP e uma massa anônima pronta para linchar. A narrativa acompanha Ryôsuke Yoshii, um revendedor que compra e vende qualquer coisa online, indiferente à origem ou às consequências do que comercializa. No início, parece mais um desses empreendedores solitários tentando escapar da fábrica. Mas aos poucos, fica claro que ele é menos um vendedor e mais um vírus.

Yoshii é o reflexo perfeito da ética da conveniência. Ele vende o que tiver que vender, do que vier, para quem quiser pagar. Não se importa com a procedência, muito menos com o destino. O lucro é o único dado relevante. Ele larga o emprego, aluga uma casa isolada, monta uma central de envios com a ajuda de um assistente angelical e, com a namorada a tiracolo, tenta surfar a maré da grana fácil. Mas logo os indícios da vingança virtual começam a pipocar. Ratos mortos, armadilhas no quintal, recados passivo-agressivos. O que antes parecia só mais um personagem apático da internet se torna alvo de uma rede de ódio. A tensão cresce no silêncio.

O ritmo do filme é frio e metódico. O primeiro ato constrói uma estética calculada, funcional, até entediante. E esse tédio é proposital: ele dá forma ao universo onde tudo parece limpo, plástico e inofensivo, até que as consequências de cada clique se tornem reais demais. Quando o segundo ato explode, a violência é quase cínica. Nada é excessivo. Tudo é seco, rápido, impessoal. Kurosawa transforma a lógica da viralização em estrutura de roteiro, e não demora para entendermos que essa nuvem de vingança só cresce porque, no fim das contas, ninguém ali é inocente.

A crítica ao capitalismo digital está longe de ser sutil. Mas é justamente essa crueza que funciona. O filme não tenta parecer sofisticado. Ele mostra, com frieza, que num ecossistema de likes, algoritmos e lucros relâmpago, a ética é sempre o primeiro item fora de estoque. Yoshii vive como um anúncio ambulante de marketplace genérico. Sua identidade é moldada pelo que revende. E quando essa identidade começa a ruir, o vazio que sobra é angustiante.

A atuação de Masaki Suda segura a narrativa com um equilíbrio preciso entre frieza e paranoia. Ele nunca tenta humanizar demais seu personagem. Yoshii é vazio, sim. E isso é parte do problema. Kotone Furukawa como Akiko, a namorada, aparece mais como reflexo do ambiente do que como personagem de verdade, o que, no universo do filme, faz sentido. Ela é mais uma consumidora no habitat do consumo. E quando tudo vira ruína, ela parece tão perdida quanto os pacotes extraviados que antes o casal despachava.

No fim, “Cloud – Nuvem de Vingança” não oferece respostas fáceis nem catarses libertadoras. A imagem final não sugere redenção nem aprendizado. O que sobra é o colapso frio de um sistema que devora seus próprios agentes. E um personagem que começa como o típico pequeno golpista digital e termina como um estudo clínico sobre a ausência de empatia no século XXI.

É um filme cruel na medida certa. E, por isso mesmo, necessário.

“Cloud – Nuvem de Vingança”
Direção: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Masaki Suda, Kotone Furukawa, Daiken Okudaira
Disponível em: no cinema

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 3.5 de 5.

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