Há algo de quase surreal em ver Liam Neeson, o mesmo homem que um dia prometeu caçar e destruir sequestradores em “Busca Implacável”, tropeçar de peruca escolar enquanto tenta impedir um assalto a banco. E ainda assim, funciona. “Corra que a Polícia Vem Aí!” não busca reinventar a comédia física, mas reacender o tipo de humor que Hollywood parece ter esquecido: o riso ininterrupto, o caos coreografado e o absurdo levado a sério.
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O filme marca o retorno da franquia imortalizada por Leslie Nielsen, agora nas mãos do diretor Akiva Schaffer, que entende exatamente o que fez os originais funcionarem. Em vez de modernizar demais a fórmula, ele a refina. A trama é apenas o pretexto para o festival de piadas: Frank Drebin Jr. (Neeson), filho do lendário policial, se vê envolvido numa investigação que mistura conspiração corporativa, carros elétricos, um vilão caricatural e uma série de explosões que desafiam qualquer lógica. Nada aqui é sutil, e é por isso que tudo é brilhante.
Há um senso de ritmo que prende o espectador pela risada. O filme nunca dá tempo de respirar, empilhando piadas, gags visuais e diálogos que parecem competir entre si por quem arranca a próxima gargalhada. E, surpreendentemente, Neeson domina esse território. Ele não tenta ser engraçado, ele é. Sua seriedade transforma o ridículo em arte. É como se Bryan Mills tivesse finalmente aprendido a rir de si mesmo.
Pamela Anderson é outro ponto alto. Sua química com Neeson é inesperadamente genuína, um tipo de absurdo que se equilibra no fio entre paródia e afeto. Os dois se tratam como se estivessem em um drama policial intenso, e é justamente esse contraste que faz tudo funcionar. Paul Walter Hauser completa o trio com um timing cômico preciso, enquanto Kevin Durand e CCH Pounder entram em cena com o exagero ideal.
O humor aqui não é apenas homenagem, é reconstrução. Schaffer mistura referências diretas aos clássicos originais com ecos de “Austin Powers”, “Missão Impossível” e até “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. A sequência inicial, que parodia a abertura do filme de Christopher Nolan, é um golpe de mestre. A cada minuto, a produção reafirma que a comédia também pode ter apuro técnico, ritmo e inteligência visual.
Tecnicamente, o filme impressiona. A fotografia noturna tem um brilho azul que realça o tom absurdo, enquanto as cenas de ação são filmadas com uma seriedade tão exagerada que se tornam hilárias. A trilha sonora, que flerta com o estilo de “Missão Impossível”, substitui as fanfarras clássicas por batidas modernas, o que dá à comédia uma roupagem atual sem perder identidade.
Mas o verdadeiro triunfo de “Corra que a Polícia Vem Aí!” está na sua coragem de rir do próprio tempo. Há um subtexto afiado sobre a era da tecnologia, sobre o politicamente correto e sobre o quanto esquecemos de rir daquilo que é simplesmente idiota. Frank Drebin Jr. representa o homem fora de lugar em um mundo que se leva a sério demais, e talvez por isso seja tão fácil torcer por ele.
A comédia aqui é o último ato de resistência contra a apatia. É um lembrete de que o riso ainda pode ser físico, imprevisível e contagiante. Quando Neeson escorrega, explode, disfarça-se ou confunde os vilões com as próprias trapalhadas, o público ri não por nostalgia, mas por reconhecimento: rir continua sendo um ato de liberdade.
“Corra que a Polícia Vem Aí!”
Direção: Akiva Schaffer
Roteiro: Dan Gregor, Doug Mand
Elenco: Liam Neeson, Pamela Anderson, Paul Walter Hauser
Disponível para aluguel em Prime Video
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