Não tem jeito: toda vez que “Dexter” volta, o debate também renasce. Era mesmo necessário? O personagem precisava de mais uma chance? E mais importante ainda: essa volta justifica o risco de reabrir feridas antigas, incluindo aquele final catastrófico da série original? Pois bem, em “Dexter: Ressurreição”, a resposta é um pouco mais complexa do que sim ou não.
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A série ignora qualquer tentativa de recomeço sutil e já abre jogando no colo do espectador a consequência direta de “Dexter: Sangue Novo”. O protagonista, baleado pelo próprio filho, acorda de um coma e descobre que Harrison desapareceu. E aí está o novo arco: um pai tentando salvar o que resta da humanidade do filho que ele mesmo moldou, enquanto fantasmas do passado voltam para assombrá-lo com força total.
Logo de cara, os dois primeiros episódios deixam claro que a intenção é mais emocional do que investigativa. Dexter, ferido e envelhecido, revive traumas com a ajuda de suas já conhecidas alucinações — desta vez, recheadas de rostos familiares como Arthur Mitchell e Miguel Prado. Tudo embalado pela culpa e por um sentimento de fracasso que, finalmente, parece pesar de verdade. Há um tom de redenção no ar, mas não aquele que alivia a barra. É o tipo de redenção dolorosa, que suja as mãos.
Harrison, por outro lado, tenta viver uma vida funcional em Nova York. Consegue emprego, diploma, amigos. Mas o DNA fala mais alto. Quando presencia uma tentativa de abuso, entra em modo “Código de Harry” e repete o ritual que aprendeu em casa, só que sem a precisão ou o controle do pai. O resultado: um corpo esquartejado, um novo rastro de pistas e uma nova caça. Só que agora, quem investiga é a dupla Wallace e Oliva, dois detetives com o faro certo e o timing errado.
Apesar do novo ambiente e da proposta de inversão de papéis, “Dexter: Ressurreição” ainda carrega os mesmos dilemas de sempre. A inteligência do protagonista volta a ser posta à prova, mas agora com um senso de urgência mais melancólico do que estratégico. Ele quer impedir o filho de repetir seus erros, mas também quer reencontrar a si mesmo no processo. O que pesa é que, para alguém com tantos anos de jogo, Dexter parece cada vez mais deslocado no tabuleiro.
O roteiro tenta compensar as fragilidades narrativas com uma avalanche de participações especiais. A começar por Uma Thurman e Peter Dinklage, seguidos por uma leva que inclui Neil Patrick Harris e Krysten Ritter. É o tipo de escolha que pode funcionar se usada com propósito, mas aqui soa mais como distração do que como engrenagem real da trama. Um aceno para manter o público interessado, mas que dilui o foco do que deveria ser a verdadeira tensão: o espelho entre pai e filho.
Mesmo assim, “Dexter: Ressurreição” não é um desastre. Está longe disso. A direção é segura, o clima é denso, e a atmosfera de culpa funciona como cola emocional. O que falta é uma motivação mais clara além do fan service e da tentativa de redenção tardia. A série acerta quando mergulha no peso das escolhas de Dexter e no impacto que elas tiveram sobre Harrison. Mas erra ao suavizar demais a consequência e ao insistir em uma mitologia que já mostrou sinais de esgotamento.
Para quem acompanhou Dexter desde os tempos de Miami, há um conforto em vê-lo de volta. Mas também há uma inquietação legítima: até onde esse retorno é uma evolução e não só um looping bem produzido? Se a temporada continuar apostando mais no emocional do que na repetição de velhas fórmulas, ainda há algo a ser explorado. Caso contrário, o que era para ser ressurreição pode muito bem virar só um eco.
“Dexter: Ressurreição”
Criação: Clyde Phillips
Elenco: Michael C. Hall, Uma Thurman, Jack Alcott
Disponível em: Paramount+ (novos episódios toda sexta-feira)
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