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Crítica: “Erupcja”

Texto: Ygor Monroe
20 de maio de 2026
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Alguns filmes parecem existir dentro de uma lógica própria, como se fossem construídos menos para contar uma história linear e mais para capturar uma sensação difícil de traduzir em palavras. Uma conversa interrompida, uma cidade observada pela janela de um carro, o silêncio estranho entre duas pessoas que compartilham um passado que ainda pulsa. “Erupcja” pertence a essa categoria rara de obras que transformam pequenos gestos em grandes acontecimentos emocionais.

Crítica: "Erupcja"
Crítica: “Erupcja”

Ambientado em uma Varsóvia filmada como quem registra uma memória prestes a desaparecer, o longa de Pete Ohs acompanha o reencontro entre Nel e Bethany, duas mulheres conectadas por uma intimidade antiga, complexa e ainda inacabada. Quando Bethany chega à Polônia acompanhada do namorado Rob, carregando consigo inquietações que nem ela parece conseguir nomear, a cidade se torna palco para uma espécie de fuga emocional, um deslocamento físico que lentamente se converte em descoberta interna.

Desde seus primeiros minutos, “Erupcja” cria uma atmosfera quase hipnótica. A imagem inicial de um vulcão em erupção funciona como metáfora direta, mas também como aviso sutil. Algo está prestes a romper. Algo reprimido insiste em emergir.

Pete Ohs conduz essa experiência com delicadeza impressionante. Seu olhar encontra beleza em detalhes aparentemente banais, permitindo que a narrativa se desenvolva através de deslocamentos, pausas e silêncios que dizem mais do que diálogos expositivos. O filme parece menos interessado em explicar sentimentos do que em permitir que eles ocupem a tela.

Nesse espaço de intimidade e suspensão, Charli xcx entrega uma estreia como protagonista que surpreende pela maturidade e intensidade. Sua Bethany é inquieta, impulsiva e profundamente difícil de decifrar. Existe nela uma energia de fuga constante, como alguém que busca movimento justamente para evitar confrontar aquilo que sente.

A artista desaparece dentro da personagem com uma naturalidade admirável. Cada decisão, cada hesitação e cada mudança sutil de expressão revelam um entendimento muito preciso sobre quem Bethany é e sobre tudo aquilo que ela ainda tenta esconder de si mesma. Seu trabalho em cena carrega a mesma sensibilidade emocional que costuma atravessar sua música, agora traduzida em gestos, silêncio e presença.

Ao lado dela, Lena Góra constrói uma Nel extraordinariamente contida. A química entre as duas é o verdadeiro coração do filme. Existe uma tensão delicada, uma intimidade reconstruída aos poucos, como se ambas estivessem reaprendendo a linguagem uma da outra. Muito do que acontece entre elas se manifesta através do corpo, dos olhares e das pausas cuidadosamente sustentadas.

Will Madden também merece destaque ao construir Rob com uma vulnerabilidade silenciosa. Seu personagem poderia facilmente se tornar apenas um obstáculo narrativo, mas o filme permite que ele exista com humanidade própria. Seus momentos de silêncio, especialmente na reta final, carregam uma melancolia discreta que amplia ainda mais o impacto emocional da história.

“Erupcja” encontra grande parte de sua força em sua escrita sensível e em sua liberdade estrutural. O roteiro assinado por Pete Ohs e Charli xcx explora temas como liberdade, identidade, desejo e redescoberta sem jamais recorrer a respostas definitivas. Tudo permanece em aberto, como se cada personagem estivesse apenas começando a compreender a própria trajetória.

A própria Varsóvia se transforma em personagem. Filmada em escala íntima, longe de qualquer monumentalidade turística, a cidade funciona como extensão emocional da narrativa. Ruas, cafés e deslocamentos cotidianos ajudam a construir essa sensação de aventura silenciosa, quase improvisada, onde cada esquina parece oferecer uma nova possibilidade de encontro ou despedida.

A presença de uma narração pontual reforça ainda mais o caráter quase literário do filme. Em muitos momentos, “Erupcja” parece um poema visual sobre afetos interrompidos. Sua curta duração intensifica essa sensação de experiência fugaz, como algo belo demais para durar muito tempo.

Existe um tipo especial de cinema que desperta a vontade de continuar pensando sobre ele por dias. Não pela necessidade de entender exatamente o que aconteceu, mas pela dificuldade de abandonar a atmosfera que criou.

“Erupcja” é exatamente esse tipo de filme. Uma obra delicada, apaixonada e profundamente viva, que encontra grandeza na escala mais íntima possível. Um dos trabalhos mais sensíveis e fascinantes deste ano.

“Erupcja”
Direção:
Pete Ohs
Roteiro: Pete Ohs e Charli xcx
Elenco: Charli xcx, Lena Góra, Will Madden
Disponível em: nos cinemas

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: Charli XCXCríticaLena GóraResenhaReviewWill Madden

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