A segunda temporada de “Gen V” chega ao Prime Video tentando equilibrar duas forças contraditórias: seguir a própria identidade e continuar sendo uma extensão direta de “The Boys”. O resultado é um equilíbrio tenso entre o caos controlado e a repetição. A série ainda se apoia no mesmo terreno sangrento e cínico que consagrou sua matriz, mas dá passos importantes para conquistar uma autonomia narrativa.
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A entrada de Hamish Linklater como o novo reitor Cipher é o ponto de virada que a história precisava. Seu personagem representa tanto o sistema quanto a ameaça invisível que molda o comportamento dos Supes, funcionando quase como uma força mitológica. Ele manipula, observa e treina, enquanto transforma a Godolkin University em um campo de guerra ideológica. É nesse ambiente que Marie Moreau (Jaz Sinclair) e seus colegas retornam, abalados pelas perdas e pela sensação de que tudo ao redor está prestes a ruir.
A temporada usa a tragédia real da morte de Chance Perdomo como motor emocional, transformando a ausência de Andre em elemento narrativo. Essa decisão traz um peso dramático inédito à série, que finalmente permite que o luto e a desilusão coexistam com a violência habitual. As relações entre Marie, Jordan (Derek Luh e London Thor), Emma (Lizze Broadway) e Cate (Maddie Phillips) são construídas com mais maturidade emocional, mas sem perder a ironia e o absurdo que definem esse universo.
O roteiro abraça um tom mais sombrio e existencial, porém não abandona o sarcasmo ácido que faz parte do DNA da franquia. Há momentos em que a série parece uma mistura entre “X-Men” e uma distopia universitária demente, cheia de simbolismos sobre poder, corpo e controle. Marie emerge como uma protagonista mais complexa, uma figura quase messiânica, com poderes que a colocam no mesmo patamar de Homelander. É curioso perceber como “Gen V” começa a tratar seus heróis menos como paródias e mais como consequências trágicas da própria ideia de heroísmo.
Cipher, por sua vez, se consolida como o antagonista mais fascinante do universo “The Boys” em anos. Frio, elegante e ideologicamente distorcido, ele funciona como uma fusão entre Professor Xavier e um inquisidor político. Sua relação com Marie é o coração da temporada: mentor e predador coexistem dentro da mesma figura, o que dá ao enredo uma tensão constante.
Visualmente, “Gen V” continua a apostar em excessos, mas com mais intenção estética. A direção de Evan Goldberg e Eric Kripke investe em planos mais controlados, que lembram a claustrofobia das antigas instalações de Godolkin. A trilha sonora e o design de produção reforçam o contraste entre o glamour corporativo e a podridão moral da Vought. É uma temporada mais madura, ainda insana, mas com consciência do próprio impacto.
Ainda assim, o peso de “The Boys” é inescapável. A quantidade de participações especiais e referências diretas acaba limitando o alcance da série. Cada vez que “Gen V” tenta respirar sozinha, surge um lembrete de que ela é uma peça dentro de um mecanismo maior. O humor segue provocador, mas às vezes soa mais previsível que crítico, especialmente quando as sátiras sociais se apoiam em caricaturas que já não surpreendem.
“Gen V” amadurece, mas continua presa à sua sombra. O que antes era uma paródia vibrante de um sistema em colapso agora se transforma em comentário sobre as consequências desse colapso. A série se leva mais a sério, e talvez por isso funcione melhor. Ela pode não reinventar o universo de “The Boys”, mas entrega o suficiente para provar que ainda há energia nesse caos.
“Gen V” (2ª temporada)
Direção: Evan Goldberg, Eric Kripke, Craig Rosenberg
Elenco: Jaz Sinclair, Lizze Broadway, Maddie Phillips, London Thor, Derek Luh, Asa Germann, Hamish Linklater
Disponível em: Prime Video
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