Hollywood sempre adorou transformar o esporte em metáfora. Do sangue no ringue ao suor no gramado, o cinema já nos convenceu de que vencer pode ser uma forma de sobrevivência. “Goat” tenta seguir essa trilha com fôlego de épico e alma de terror psicológico, mas acaba tropeçando no próprio excesso. O filme quer ser sobre a idolatria moderna, a masculinidade em colapso e o culto à performance, mas termina como uma colagem de ideias em busca de propósito.
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Cameron Cade, o jovem atleta que sonha em brilhar no futebol americano, parece saído de uma campanha publicitária da própria liga, corpo moldado à perfeição, mente focada, ambição que beira a obsessão. Quando um acidente coloca tudo em risco, surge o ídolo, o mentor, o salvador, Isaiah White, um veterano que mais parece um messias decadente do esporte. É aqui que o filme promete mergulhar nas trevas do culto à fama, mas o mergulho é raso. A direção de Justin Tipping prefere o impacto visual à densidade dramática, apostando em cortes frenéticos e símbolos religiosos que se acumulam como se o subtexto precisasse gritar para ser entendido.
O terror de “Goat” tenta nascer da pressão física e psicológica que envolve a ascensão esportiva, mas se perde em uma narrativa fragmentada e irregular. Há lampejos de estilo, a câmera que gira como se buscasse ar em meio ao caos, o uso quase litúrgico da iluminação, porém tudo isso parece mais preocupado em causar desconforto do que em construir tensão real. O resultado é um espetáculo estético que esquece de emocionar.
Marlon Wayans entrega uma performance vigorosa e perturbadora, oscilando entre carisma e loucura com precisão. Julia Fox, embora subaproveitada, traz a dose certa de estranheza para o papel da esposa influencer que observa o colapso com a calma de quem já viveu do espetáculo. Tyriq Withers tem presença física marcante, mas seu personagem carece de direção emocional, o roteiro o transforma em símbolo antes de permitir que seja humano.
Em seu núcleo, “Goat” tenta discutir o que acontece quando o atleta se torna ídolo e o ídolo se transforma em produto. A metáfora é potente e poderia ter sido brilhante, mas o filme prefere gritar suas intenções em vez de articulá-las. O resultado é um híbrido estranho entre terror e crítica social, que acaba servindo mais como curiosidade do que como obra consistente.
Há momentos em que o filme parece querer rivalizar com o universo de Jordan Peele, e talvez aí resida parte do problema. Falta a sutileza e o controle que transformam o desconforto em discurso. “Goat” é intenso, mas desorganizado, tem estilo, mas carece de substância. No fim, é como assistir a um jogo decisivo em que o time entra em campo cheio de promessas e termina derrotado pela própria ambição.
“Goat”
Direção: Justin Tipping
Roteiro: Zack Akers e Skip Bronkie
Elenco: Tyriq Withers, Marlon Wayans, Julia Fox
Disponível nos cinemas
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