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Crítica: Good Charlotte, “Motel Du Cap”

Texto: Ygor Monroe
11 de agosto de 2025
em Música, Resenhas/Críticas

Há bandas que, ao longo da carreira, se tornam quase como um velho amigo que você não vê há anos, mas que, quando reaparece, traz um misto de nostalgia e curiosidade. O Good Charlotte chega com “Motel Du Cap”, o oitavo álbum de estúdio, sete anos depois de “Generation Rx”. E o que se ouve aqui é justamente isso: um reencontro que carrega tanto o calor das memórias quanto a estranheza de perceber que o tempo passou.

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Crítica: Good Charlotte, "Motel Du Cap"
Crítica: Good Charlotte, “Motel Du Cap”

“Motel Du Cap” é um trabalho que aposta na variedade estética. Há momentos de energia genuína, guitarras encorpadas e refrões prontos para serem cantados em coro, e outros em que a banda se aventura por territórios menos familiares, flertando com elementos eletrônicos, baladas grandiosas e até referências de outros gêneros que não sempre se encaixam de forma orgânica. O resultado é um disco irregular, mas que, em seus melhores momentos, lembra por que o Good Charlotte marcou época.

O álbum tem um coração pop punk, mas não se limita a repetir fórmulas antigas. Em alguns trechos, a produção abraça texturas modernas, com uso de distorções vocais, camadas eletrônicas e batidas programadas. Isso traz frescor, mas também expõe riscos: nem todas as experimentações funcionam. Quando a banda se mantém próxima de sua essência, explorando riffs diretos e melodias afiadas, o impacto é imediato. Quando se distancia demais, o resultado soa deslocado, como se estivesse tentando agradar a um público que talvez não seja o seu.

Apesar dessa montanha-russa criativa, “Motel Du Cap” é um álbum que se posiciona como celebração da trajetória do Good Charlotte. Há um senso de autoafirmação em faixas que soam quase como um brinde à própria história da banda, algo raro de ver em grupos que preferem se distanciar de sua identidade original. É um gesto que aproxima o trabalho dos fãs de longa data, mesmo que não conquiste unanimidade da crítica.

Tecnicamente, o disco é bem construído. A mixagem valoriza os instrumentos e cria espaço para que as nuances apareçam, embora alguns momentos pareçam apressados ou pouco polidos. A produção sabe como criar impacto, especialmente em refrões expansivos, mas em certos pontos deixa a sensação de que algumas ideias poderiam ter sido melhor lapidadas.

“Motel Du Cap” não é um retorno triunfal que vai redefinir a carreira do Good Charlotte, mas cumpre seu papel como registro honesto de uma banda que ainda busca se reinventar sem abandonar completamente seu DNA. Para quem acompanha o grupo desde o início, há faíscas de brilho que remetem aos melhores dias. Para novos ouvintes, é um retrato curioso de uma banda que envelheceu, mas ainda sabe como criar momentos que prendem a atenção. Um álbum que merece ser ouvido com o mesmo espírito com que foi feito: mais como um reencontro do que como uma corrida pelo trono do gênero.

Nota: 79/100 | Good Charlotte, “Motel Du Cap”

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