“Guerreiras do K-Pop” é o tipo de animação que surge entre o exagero proposital e a inteligência visual. Uma ideia que soa absurda à primeira vista, mas que, na prática, entrega um espetáculo gráfico que não subestima a inteligência do público nem se perde em firulas narrativas. O conceito de um girl group que alterna entre o palco e o extermínio de demônios soa como algo criado por um algoritmo descontrolado, mas encontra seu próprio equilíbrio ao assumir com convicção sua identidade híbrida entre o pop e o sobrenatural.
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É uma obra que entende a lógica do entretenimento. Não tenta ser profunda a todo custo, mas também não se limita a ser uma experiência descartável. O que temos aqui é um filme que sabe misturar forma e energia com rara naturalidade. O universo é estilizado, mas coeso. A animação, em técnica mista de 2D e 3D, amplia a expressividade dos personagens, realça o dinamismo das sequências de ação e imprime ritmo visual a uma trama que exige adrenalina estética.
O que realmente surpreende é o quanto essa proposta funciona sem precisar fazer concessões. Não se trata de uma obra que tenta agradar a um nicho específico. Mesmo quem nunca ouviu um grupo de K-pop na vida pode se divertir com a montagem acelerada, o carisma das protagonistas e a inteligência com que o filme alterna entre o espetáculo e a crítica velada à cultura de performance.
Existe, aliás, uma camada crítica subentendida que merece atenção. A forma como a indústria do entretenimento sul-coreana é retratada, ainda que com toques de fantasia, toca em pontos sensíveis sobre controle de imagem, expectativas de pureza e a constante vigilância sobre o comportamento de artistas. É sutil, mas está lá. E talvez esteja aí o maior mérito da animação: fazer crítica sem soar amarga, e fazer espetáculo sem parecer esvaziado.
Claro, há imperfeições. Algumas ideias levantadas ao longo da narrativa parecem abandonadas no terceiro ato, como se o roteiro perdesse o próprio fôlego diante da pressa para resolver tudo com intensidade e volume. Mas mesmo quando derrapa, o filme se mantém fiel à sua proposta visual e temática. Ele não tenta virar algo que não é. E isso, por si só, já o diferencia de tantos outros projetos animados que começam promissores e terminam genéricos.
Outro ponto de destaque é a trilha sonora original, assinada por integrantes do Twice. A música aqui funciona como narrativa complementar, não apenas como pano de fundo. Ela guia emoções, pontua transições e sustenta a identidade sonora do universo do filme com um frescor que poucos estúdios ocidentais conseguem oferecer quando decidem se aventurar pelo pop asiático.
“Guerreiras do K-Pop” representa um momento interessante na trajetória da Sony Pictures Animation. Um estúdio que, nos últimos anos, tem feito da ousadia seu novo padrão. Após reinventar o universo do Homem-Aranha com liberdade artística radical, agora aposta em um projeto original que mistura mitologia moderna com referências culturais pulsantes. É um passo arriscado, mas necessário, especialmente em um mercado saturado por narrativas recicladas.
No fim das contas, este é um filme que se posiciona de forma clara. Não tenta agradar todos os públicos ao mesmo tempo, mas acerta ao encontrar sua própria voz. Uma animação que entende o valor do exagero bem executado, da estética como linguagem e da cultura pop como potência narrativa. Que venham mais histórias como essa. Que venham mais riscos como esse. Porque o cinema de animação ainda tem muito para dizer. E às vezes, tudo o que ele precisa é de um palco, um microfone e uma boa luta contra demônios para provar isso.
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