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Crítica: “Jurassic World: Recomeço” (Jurassic World Rebirth)

Há algo de quase melancólico em ver a franquia “Jurassic Park” arrastar seus ossos gigantescos por mais uma aventura. “Jurassic World: Recomeço” surge tentando se vender como uma virada de página, um sopro de novidade num universo que há muito tempo vive mais de nostalgia do que de ambição real. Cinco anos depois do caótico “Jurassic World: Domínio”, a Terra virou um palco incômodo para os dinossauros restantes. Eles agora habitam bolsões equatoriais, climas úmidos e isolados que lembram os períodos em que esses titãs dominaram o planeta. É nesse ambiente que o filme resolve fincar seus dentes: uma equipe embarca numa missão para extrair DNA de três das maiores criaturas vivas, algo que poderia resultar num medicamento capaz de salvar milhares de vidas humanas.

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Crítica: “Jurassic World: Recomeço” (Jurassic World Rebirth)

A premissa até carrega aquele sabor de urgência científica misturada a aventura. Só que logo fica evidente que o DNA problemático aqui não está só nos lagartos gigantes, mas no próprio roteiro. David Koepp, que já foi o cérebro por trás de obras pop afiadíssimas, entrega um texto tão preguiçoso que parece ter sido rabiscado em meia hora. Os diálogos são rasos, as piadas tentam emular o charme cínico do primeiro “Jurassic Park” mas tropeçam feio, e as referências diretas aos filmes de 1993 soam como um recurso desesperado para arrancar o mínimo de emoção do público. O problema não é usar o passado como gancho, mas fazer isso sem coragem de oferecer algo verdadeiramente novo.

Nesse ponto, dá até para tirar um pouco do peso das costas de Gareth Edwards. O diretor faz o que pode para imprimir escala, suspense e uma fotografia que se beneficia das locações naturais. Há cenas em que o gigantismo dos dinossauros e a pequenez humana se encontram num balé visual de tirar o fôlego, o que comprova que Edwards ainda sabe construir espetáculo. Só que não dá para sustentar uma superprodução apenas na plasticidade. O filme vive à beira de um abismo, equilibrando a fragilidade da trama com set pieces que seguram tudo por um fio.

O longa vive de fetichizar o original. São efeitos sonoros arrancados diretamente de 1993, enquadramentos que imitam momentos clássicos e até duas sequências inteiras que replicam icônicas cenas do primeiro filme, só para gritar “olha, lembra disso?”. O problema é que lembrar não basta. O público quer ser surpreendido, e “Recomeço” parece incapaz de entregar qualquer frescor.

Mesmo com Scarlett Johansson tentando dar algum estofo à sua personagem ainda que ela protagonize momentos constrangedores, como cortar uma cerca que poderia muito bem ter simplesmente escalado o elenco fica engessado em funções narrativas previsíveis. Jonathan Bailey e Mahershala Ali tentam dar alma aos coadjuvantes, mas ficam presos a arquétipos que o cinema de aventura já cansou de explorar. São personagens que passam pelo filme sem deixar marcas, sem ferir nem curar o espectador, só vagando entre cenas de ação e diálogos burocráticos.

O resultado é um longa que lembra muito “Alien: Romulus” em estrutura, só que sem o mesmo fôlego estilístico. Fica a impressão de que Edwards queria ao menos entregar uma experiência visceral, mas se viu preso a um projeto que já nasceu contaminado pelo peso de uma franquia que precisa urgentemente de repouso. Porque talvez “Jurassic Park” tenha contado tudo o que tinha para contar, e insistir em prolongar o inevitável só torna cada tentativa mais pálida.

No fundo, o que fica é a sensação de que a história jurássica chegou ao limite. O cinema evolui, o público também, e continuar explorando esse universo sem coragem de romper de verdade com o passado transforma a aventura em algo quase burocrático. Os dinossauros até rugem bonito, mas já não assustam, não maravilham, não renovam o fascínio primordial que Steven Spielberg tão brilhantemente despertou há mais de três décadas.

Jurassic World: Recomeço (2025)
Direção: Gareth Edwards
Elenco: Scarlett Johansson, Jonathan Bailey, Mahershala Ali
Disponível nos cinemas

Avaliação: 2 de 5.

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