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Crítica: Kendrick Lamar, “GNX”

Texto: Ygor Monroe
24 de junho de 2025
em Música, Resenhas/Críticas

“GNX” escapa de tudo que se esperaria de um sexto álbum. Depois de enfrentar uma das rivalidades mais comentadas da década, Kendrick Lamar opta por um movimento lateral. Não se apoia na glória do embate recente, nem tenta repetir a densidade conceitual que marcou sua discografia anterior. Ele apresenta, em vez disso, um álbum que confronta o agora com uma leveza disfarçada, onde cada beat carrega tensão e cada verso respira provocação.

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Crítica: Kendrick Lamar, "GNX"
Crítica: Kendrick Lamar, “GNX”

É um disco curto, direto, explosivo. Mas o que ele tem de conciso em duração, compensa em intenção. Kendrick abre espaço para uma nova articulação estética, onde a identidade da Costa Oeste pulsa em produção, vocabulário, sotaque e estrutura, mas o olhar está mais para dentro do que para o espelho retrovisor. Existe uma melancolia estrutural aqui, mesmo nos momentos mais festivos, como se a euforia servisse para esconder rachaduras que o rapper já não quer mais reparar.

“GNX” parte do solo rachado deixado por “Mr. Morale & the Big Steppers”, mas recusa a mesma forma de introspecção. Se antes a jornada era psicanalítica, aqui ela é quase mística, com lampejos de vidas passadas, referências espirituais e uma constante tentativa de conversar com um divino que aparece como ausência. Kendrick troca o consultório pela encruzilhada, e nessa troca assume riscos estéticos que poucas figuras de sua escala ousariam bancar.

O impacto visual e sonoro da produção amarra esse projeto com consistência. Os beats se dividem entre o brutalismo eletrônico e o groove clássico, oscilando entre tensão e suavidade com inteligência. A presença de Jack Antonoff ao lado de Sounwave cria uma dualidade curiosa que equilibra o desconforto com uma produção quase pop, mas nunca fácil. Kendrick usa o som como campo de embate entre o visceral e o calculado, como se tentasse sabotar a previsibilidade a cada virada de compasso.

Há um desconforto programado na arquitetura do disco. Ele jamais se acomoda em estruturas lineares ou seguras. O que parece ser uma música celebratória guarda, no subtexto, comentários ácidos sobre a indústria, sobre o público, sobre o próprio lugar que ele ocupa no rap. Mesmo nos momentos em que se aproxima da atmosfera radiofônica, Kendrick faz questão de lembrar que esse não é um território conquistado, mas invadido. A crítica velada está sempre ali, empacotada com batidas pulsantes, samples instigantes e versos que soam leves, mas carregam chumbo.

A narrativa, se existe uma, é fraturada. O disco se movimenta por fragmentos, flashes, imagens cortadas. Kendrick não entrega linearidade, entrega ruído. Há trechos em que ele parece querer se apagar dentro da própria música, como se o álbum fosse uma arena onde outras vozes, estéticas e ideias ganham centralidade. É como se ele estivesse cansado da própria biografia, e optasse por abrir espaço para múltiplos “eus”, múltiplos tempos, múltiplas formas de contar.

Mesmo quando o disco vacila, e há momentos de oscilação mais perceptíveis, Kendrick tem plena consciência do que está fazendo. O excesso, a repetição, o improviso proposital, tudo aponta para um artista que já entendeu que a perfeição narrativa não é mais o objetivo. O que importa agora é o gesto, o impacto imediato, a desorganização produtiva que desafia expectativas.

A ausência de singles, o lançamento surpresa, a escolha de manter o álbum fora de uma lógica promocional convencional são indícios claros de um novo posicionamento. Kendrick não quer mais a narrativa da genialidade sagrada. Ele quer o ruído, a interferência, o jogo de imagens trocadas que transforma cada faixa em um objeto estranho, meio fora de lugar.

“GNX” é, em essência, um disco de esgotamento. De forças, de estratégias, de formatos. E, por isso mesmo, soa urgente. Ele tem mais perguntas do que respostas, mais ataques do que afagos. Mas também carrega, em seu coração, uma espécie de fé contraditória na linguagem, como se Kendrick ainda acreditasse que há algo a ser dito, mesmo que não saiba mais como.

Talvez o maior mérito de “GNX” seja esse: não entregar a reflexão esperada, mas uma sequência de colisões internas. Kendrick Lamar transforma um carro antigo, herdado do pai, em símbolo de um tempo perdido e de uma cultura que se repensa em voz alta. Esse disco, que muitos verão como um experimento passageiro, é na verdade um novo capítulo em sua trajetória de constante reinvenção. Porque só um artista que se permite falhar de formas tão grandiosas consegue continuar sendo tão essencial.

Nota: 88/100

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