Laufey chega ao seu terceiro álbum de estúdio, “A Matter of Time”, em um ponto crucial da carreira. Se em “Everything I Know About Love” e “Bewitched” o foco era resgatar o romantismo clássico inspirado no Great American Songbook, agora ela escolhe abrir espaço para algo mais arriscado: uma vulnerabilidade sem filtros, traduzida em um som maior, mais expansivo e mais confessional.
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O disco não abandona as raízes jazzísticas que sempre marcaram sua obra, mas redireciona essa herança para um território mais pop, emocionalmente cru e voltado ao impacto imediato. Com produção de Spencer Stewart e Aaron Dessner, “A Matter of Time” valoriza imperfeições e amplia texturas, criando um registro que é, ao mesmo tempo, delicado e grandioso.
As letras são o coração do projeto. Em vez de apenas idealizar o amor, Laufey mergulha em temas pouco explorados em sua discografia, como rupturas de amizade, medo de entrega e confrontos internos. É um álbum que se permite ser “bagunçado” e humano, revelando uma artista mais consciente de suas próprias contradições. Esse movimento é reforçado pela instrumentação mais ampla e por arranjos que soam vivos, quase como se fossem capturados em tempo real, refletindo a escala crescente de suas apresentações ao vivo.
“A Matter of Time” também marca a consolidação de Laufey como compositora capaz de criar narrativas universais sem perder sua assinatura intimista. Faixas como “Silver Lining” e “Tough Luck” mostram uma artista menos preocupada em preservar tradições e mais interessada em traduzir sua experiência pessoal em canções que dialogam com uma geração inteira. Já em “Snow White” e “Lover Girl”, percebe-se um equilíbrio entre a fragilidade emocional e a ambição estética, como se cada música fosse um fragmento de diário exposto ao público.
Este é o álbum mais confiante e ambicioso de Laufey até agora, mas também o mais revelador. Ao trocar a rigidez da preservação jazzística por uma sonoridade mais ampla, ela não perde a identidade; pelo contrário, encontra um espaço onde sua voz pode ser ao mesmo tempo clássica e contemporânea. “A Matter of Time” é, em essência, o retrato de uma artista em expansão, disposta a abraçar a complexidade de si mesma e transformá-la em música de alcance universal.
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