“Madea e o Casamento nas Bahamas” parece existir num universo cinematográfico paralelo, onde a coerência narrativa, o refinamento da comédia e o mínimo de cuidado estético passam longe. Ainda assim, Tyler Perry segue firme em seu compromisso de alimentar a saga de Madea, chegando agora ao décimo terceiro filme da franquia. São duas décadas transformando essa avó desbocada num ícone cultural curioso, mais pela insistência em se repetir do que por qualquer mérito artístico que sustente tamanha longevidade.
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O enredo da vez empacota a família Simmons rumo às Bahamas para o casamento relâmpago de Tiffany, filha do sobrinho Brian, com um rapper chamado Zavier que ela acabou de conhecer num iate. O casamento, é claro, vai acontecer dali a duas semanas e toda a trupe se desloca para o paraíso caribenho, levando junto seus dramas, suspeitas e aquele humor barulhento que Perry tanto gosta de explorar. Tudo é construído para virar uma sucessão de confusões, gritaria e piadas que raramente acertam o alvo.
É quase hipnotizante observar como “Madea e o Casamento nas Bahamas” tenta em fazer humor da maneira mais rasa possível. Os diálogos soam como rascunhos de improviso, as atuações transitam entre o robótico e o completamente exagerado e o timing cômico parece existir em outra galáxia. O mais estranho é perceber que, apesar disso tudo, a fórmula continua dando retorno. Perry não apenas dirige e escreve, como volta a interpretar Madea, dominando a tela com seu figurino extravagante e aquela língua afiada que o público já conhece bem.
Por outro lado, fica difícil ignorar o fato de que a franquia perdeu completamente o brilho. A graça anárquica que havia nos primeiros filmes foi soterrada por roteiros preguiçosos e pela sensação constante de que tudo ali serve só para alongar uma marca lucrativa. Os coadjuvantes entregam falas sem convicção, o humor se apoia em estereótipos exauridos e o filme não oferece absolutamente nada de novo para justificar sua existência além do fan service descarado.
Mesmo assim, dá para entender por que essas histórias continuam surgindo. Madea virou uma figura de conforto para muita gente, alguém que representa, ainda que de forma caricata, a voz que fala o que pensa e desorganiza estruturas familiares hipócritas. Só que isso não basta para segurar quase duas horas de filme, muito menos para mascarar a falta gritante de roteiro. “Madea e o Casamento nas Bahamas” poderia ter sido um retorno divertido às origens alopradas da personagem, mas se contenta em ser um desfile preguiçoso de piadas sem alma, sustentado apenas pela memória de dias melhores da franquia.
No fim das contas, assistir a esse longa é quase como rever um parente distante que insiste na mesma piada de sempre, sem notar que ninguém ri mais de verdade. Vale se você já é fã de Madea e aceita qualquer pretexto para vê-la de novo, mas fora isso, é só mais um capítulo descartável na interminável jornada dessa matriarca que parece não saber a hora de pendurar o vestido estampado e dar um descanso para o público.
“Madea e o Casamento nas Bahamas”, direção de Tyler Perry, com Tyler Perry, Cassi Davis e David Mann. Disponível na Netflix.
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