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Crítica: “Mother Mary”

Texto: Ygor Monroe
20 de maio de 2026
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Certos filmes parecem menos interessados em contar uma história do que em provocar uma espécie de vertigem emocional. Obras que operam como lembranças fragmentadas, sensações que escapam da lógica e permanecem ecoando muito depois que a tela escurece. “Mother Mary” pertence exatamente a esse território inquieto, onde o melodrama encontra o espetáculo, a intimidade encontra a performance e o silêncio entre duas personagens pode carregar mais significado do que páginas inteiras de diálogo.

Crítica: "Mother Mary"
Crítica: “Mother Mary”

Sob a direção precisa e ousada de David Lowery, o longa acompanha a conexão intensa e muitas vezes indecifrável entre uma musicista mundialmente conhecida e uma estilista cuja presença parece atravessar sua vida como uma força criativa, emocional e quase espiritual. O que poderia ser apenas uma narrativa sobre fama, arte e identidade rapidamente se transforma em algo mais complexo, um estudo sobre ausência, memória e os rastros deixados por relações que nunca desaparecem completamente.

Existe algo de fantasmagórico em cada imagem de “Mother Mary”. Mesmo sem seguir os caminhos tradicionais do horror, o filme parece constantemente assombrado. Assombrado por sentimentos interrompidos, por vínculos mal resolvidos e pela persistência de afetos que resistem ao tempo. David Lowery constrói essa atmosfera com delicadeza e estranheza, permitindo que cada enquadramento funcione como uma extensão emocional de suas protagonistas.

Anne Hathaway entrega aqui uma de suas performances mais vulneráveis e magnetizantes em muitos anos. Sua presença carrega uma tensão permanente, como alguém tentando sustentar uma imagem pública impecável enquanto fragmentos internos insistem em escapar. Cada gesto parece calculado, mas cada olhar denuncia aquilo que permanece fora de controle.

Ao seu lado, Michaela Coel constrói uma personagem absolutamente hipnotizante. Existe uma imprevisibilidade fascinante em sua interpretação, uma maneira particular de alterar a energia de cada cena apenas com pequenas mudanças na voz ou na expressão. Quando ambas dividem a tela, o filme encontra sua força máxima. A química entre as duas é tão poderosa que muitas vezes dispensa explicações.

Essa relação central permite múltiplas leituras. Pode ser observada como uma dinâmica entre artista e musa, como amizade marcada por dependência emocional ou como uma história de amor que sobrevive apenas nas frestas da memória. David Lowery parece pouco interessado em oferecer respostas definitivas. Seu cinema prefere sugerir, insinuar, provocar desconforto e permitir que cada espectador construa seu próprio significado.

Visualmente, “Mother Mary” impressiona pelo rigor estético e pela capacidade de transformar emoções em linguagem cinematográfica. Algumas escolhas remetem à intensidade pop de “Vox Lux”, enquanto certos momentos evocam o caráter ritualístico e perturbador de “Suspiria”. Ainda assim, o filme preserva identidade própria, recusando qualquer tentativa de acomodação.

A estética musical também desempenha papel fundamental nessa experiência. A música surge como extensão da narrativa, como confissão emocional e como palco onde sentimentos reprimidos finalmente encontram espaço para existir. Cada sequência parece cuidadosamente desenhada para ampliar essa sensação de espetáculo íntimo, em que a grandiosidade visual convive com feridas profundamente pessoais.

Mesmo com tantos acertos, o longa exige entrega e paciência. Seu ritmo deliberadamente contemplativo e o excesso de diálogos podem transformar parte da experiência em algo cansativo. Certas passagens parecem se alongar além do necessário, criando uma sensação de exaustão que nem sempre contribui para o impacto dramático. A densidade simbólica, embora fascinante, pode afastar quem espera uma narrativa mais objetiva.

Ainda assim, existe algo profundamente sedutor em sua proposta. “Mother Mary” abraça a ambiguidade como linguagem, permitindo que o desconcerto também seja uma resposta válida. Nem tudo precisa ser compreendido de maneira literal quando o que está em jogo é a capacidade de sentir.

Mais do que um drama musical, “Mother Mary” se apresenta como uma experiência emocional sobre vínculos que persistem mesmo quando parecem encerrados. Um filme sobre fantasmas afetivos, sobre identidade construída sob os olhos do público e sobre tudo aquilo que permanece vivo dentro daquilo que já foi perdido.

“Mother Mary”
Direção:
David Lowery
Elenco: Anne Hathaway, Michaela Coel, Hunter Schafer
Disponível em: em breve nos cinemas

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: Anne HathawayCríticaHunter SchaferMichaela CoelResenhaReview

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