Crítica: o sempre atual diretor Aaron Sorkin surpreende em “Os 7 de Chicago”, filme da Netflix que estreia nesta sexta-feira

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Se tem uma coisa que o diretor Aaron Sorkin (da série da HBO “The Newsroom”) sabe ser é atual – mesmo sem querer. Em seu novo filme, “Os 7 de Chicago”, que estreia na Netflix nesta sexta-feira (16), ele aborda os protestos contra a guerra do Vietnã realizados em Chicago em 1968. O longa chega bem em um momento em que os Estados Unidos passam por manifestações contra o racismo e a brutalidade policial. O elenco é de peso: Mark Rylance, Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt e Sacha Baron Cohen.

Confesso que demorei um pouco para entender quem são os personagens e quais os seus papéis na narrativa, já que eles são apresentados logo no começo do filme de uma forma bem rápida e até dinâmica, mas aos poucos vamos entendendo qual a relação deles com o tal julgamento ao qual são submetidos.

A história mesmo dos protestos acaba ficando em segundo plano e tratada de forma não-linear, já que o filme foca o julgamento das acusações contra a “suposta quadrilha” que, mesmo sem todos se conhecerem, arquitetou toda aquela manifestação. É difícil compreender que, em toda a história dos EUA, constantemente vemos em filmes como esses, juízes – que por lá são indicados e não concursados como aqui no Brasil – sempre conservadores e até tidos como vilãos (vocês vão entender o motivo ao assistir o filme).

Prestes a estrear seu novo filme, “Borat 2”, é um pouco “fora da casinha” ver Sacha Baron Cohen em um papel sério, como o do ativista Abbie Hoffman. Talvez por isso, Abbie seja o menos “normal” dentre todos os réus nesse julgamento, que durou mais de 150 dias. Ele é o responsável por dar ao longa um pequeno tom de comédia e ironia em sua narrativa.

Em uma excelente dinâmica, Sorkin nos presenteia com um filme que, seguindo as novas regras das premiações, tem boas chances de indicações na temporada de 2021.  

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