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Crítica: “O Senhor dos Mortos” (The Shrouds)

Texto: Ygor Monroe
5 de maio de 2025
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

“O Senhor dos Mortos” marca o retorno de David Cronenberg ao território do horror psicológico e da inquietação existencial, mas em vez de recorrer ao grotesco físico que definiu sua carreira, ele mergulha em uma reflexão profundamente pessoal sobre luto, corpo, identidade e controle. O filme, protagonizado por Vincent Cassel, mistura tecnologia e dor emocional de forma desconcertante, fazendo de sua narrativa uma espécie de confissão sombria e autoconsciente de um diretor que, pela primeira vez, parece estar colocando a si mesmo em cena com total exposição.

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Crítica: "O Senhor dos Mortos" (The Shrouds)
Crítica: “O Senhor dos Mortos” (The Shrouds)

A premissa é estranha, mas emblemática: Karsh (Cassel), viúvo ainda imerso na dor da perda, cria a GraveTech, uma tecnologia que permite que os vivos observem seus entes falecidos através de câmeras instaladas dentro dos caixões. A ideia soa absurda em qualquer outro contexto, mas sob o comando de Cronenberg, vira metáfora. Trata-se de um filme sobre obsessão, privacidade, memória e a dificuldade em deixar ir. E, acima de tudo, sobre o desejo inconfessável de controlar até mesmo os mortos, mantendo-os em um estado de presença virtual.

A narrativa se desenvolve como um quebra-cabeça de paranoia e vulnerabilidade. Quando túmulos são violados, incluindo o de sua esposa, Karsh embarca em uma jornada investigativa que desafia os limites da lógica e do bom senso. Entra em cena uma galeria de personagens que mais confundem do que ajudam: a irmã sósia da esposa falecida (também interpretada por Diane Kruger), um ex-marido ressentido (Guy Pearce) e uma misteriosa mulher estrangeira (Sandrine Holt) que parece saber mais do que deveria. A trama parece desinteressada em respostas e mais inclinada a empurrar Karsh, e o público, para um labirinto cada vez mais claustrofóbico de questionamentos sobre o que é real, ético ou emocionalmente legítimo.

O roteiro evita estruturas tradicionais. O filme não oferece catarse, apenas desconforto. É quase um anti-thriller: frio, contemplativo e sem pressa. A estética de Cronenberg continua marcada pela arquitetura limpa, pelo uso do vidro, do branco e do vazio urbano como elementos dramáticos. A Toronto de “O Senhor dos Mortos” é indistinta, genérica, como se Cronenberg a moldasse intencionalmente para apagar qualquer traço de familiaridade. Isso amplifica a sensação de distanciamento entre o espectador e o personagem principal, que nunca é apresentado de forma emocionalmente acessível.

Cassel incorpora Karsh com um misto de frieza clínica e desespero contido. O mais curioso, no entanto, é sua caracterização: figurino, cabelo, óculos e postura que remetem diretamente ao próprio Cronenberg. A escolha não parece acidental. O cineasta projeta sua imagem no personagem como uma extensão de seu próprio luto, oferecendo uma autorrepresentação desconfortável que flerta com o ensaio autoficcional. O sotaque francês de Cassel acrescenta uma camada extra de estranhamento, como se nada no filme fosse inteiramente compatível com o mundo real.

A proposta de “O Senhor dos Mortos” é, acima de tudo, conceitual. A tecnologia da GraveTech não interessa por seu realismo técnico, mas como provocação moral. O filme levanta uma pergunta perturbadora: há algo de profundamente narcisista no desejo de eternizar os mortos sob nosso olhar? O dispositivo fílmico de Cronenberg se transforma em um espelho para esse impulso humano de preservação e posse, mesmo diante da decomposição inevitável.

Talvez o aspecto mais radical do filme seja sua recusa em oferecer alívio emocional. Ao contrário de dramas sobre perda que culminam em aceitação, “O Senhor dos Mortos” parece sugerir que certos lutos não se resolvem, apenas se transformam em outras obsessões. O resultado é um filme difícil, hermético, incômodo e profundamente pessoal, que se distancia das expectativas do público médio e, por isso mesmo, se torna um dos trabalhos mais ousados e provocadores da carreira de Cronenberg.

Cronenberg entrega aqui um projeto de densidade simbólica e poder introspectivo raros. Pode ser, sim, sua obra mais polarizadora, mas também uma das mais sinceras e inquietantes. Em um cinema onde a morte costuma ser usada como gatilho emocional genérico, “O Senhor dos Mortos” opta por tratá-la como enigma, trauma e território de disputa. Um filme que fala com os mortos, mas sobretudo com os vivos que se recusam a deixá-los partir.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 3.5 de 5.

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