Há quem diga que o universo das buddy cop comédias já perdeu o fôlego faz tempo, e “Os Bad Boas” não faz muito para contrariar essa impressão. O longa até tenta entregar o charme clássico das duplas improváveis, mas tropeça em sua própria falta de ambição. O que poderia ser uma aventura policial divertida e despretensiosa acaba se mostrando um passeio morno por todos os clichês do gênero, sem nenhuma vontade de ser algo além do esperado.
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Na trama, Rotterdam é o palco para Ramon, um agente comunitário certinho que vive à sombra do pai, herói local, e Jack, um ex-detetive cabeça quente rebaixado depois de perder o parceiro em circunstâncias nebulosas. Juntos, eles embarcam numa jornada previsível para descobrir quem está por trás da morte que os liga. Daí já dá para sacar a fórmula completa: o certinho e o rebelde aprendem a conviver, descobrem um ponto em comum doloroso e, claro, unem forças contra o bandido. Só faltou mesmo o high five congelado nos créditos finais.
É curioso notar como o filme ostenta classificação para maiores, mas não faz nada que realmente justifique o selo “adulto” além de alguns palavrões soltos. Há piadas visuais que miram o constrangimento, mas falham em provocar gargalhadas genuínas. As perseguições e cenas de ação ficam num meio-termo sem sal: não são absurdas o bastante para empolgar, nem realistas o bastante para criar tensão. O resultado é um thriller de butique, que se contenta em desfilar com cara de policial moderninho sem se comprometer em entregar emoção.
O roteiro parece tão preso ao manual que dá para adivinhar o desfecho com meia hora de filme. Desde o devaneio de Ramon imaginando ser o grande salvador da vizinhança, o público já sabe que vai rolar o momento “herói por acidente” lá na frente. O problema é que, até chegar lá, o longa empilha sequências que não têm peso dramático, e o vilão interpretado por Mark Rietman não ajuda a criar urgência é o tipo de antagonista que some da memória antes mesmo dos créditos subirem.
Se há algo que ameniza o marasmo, é o carisma de Jandino Asporaat como Ramon. Ele entrega um protagonista ingênuo, mas simpático o suficiente para carregar algumas cenas. Já Werner Kolf, vivendo Jack, parece tão comprometido em ser o “sério da dupla” que esquece de deixar escapar qualquer faísca de carisma. O resto do elenco oscila entre o esquecível e o quase caricato, sem nunca realmente se destacar.
No fim das contas, “Os Bad Boas” soa como aquele projeto que se contenta em existir, sem demonstrar a mínima ousadia para marcar o gênero de forma própria. Funciona como passatempo, mas dificilmente vai figurar em alguma lista de buddy cops memoráveis. Talvez valha a pena dar o play numa tarde sem grandes pretensões, só para preencher o silêncio.
“Os Bad Boas” (2024), direção de Gonzalo Fernández Carmona, com Jandino Asporaat, Werner Kolf e Mark Rietman. Disponível na Netflix.
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