“Os Estranhos: Capítulo 2” tenta manter viva a tensão do original, mas termina aprisionado num labirinto de clichês e repetições. A ideia era dar continuidade ao pesadelo, aprofundar o trauma e talvez explorar o que resta de humanidade após a violência. O resultado é uma perseguição interminável, onde a brutalidade substitui o medo e a previsibilidade sufoca o suspense.
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Maya, vivida por Madelaine Petsch, sobreviveu ao massacre anterior, mas sua fuga não tem fim. O hospital que deveria representar cura se torna o novo campo de caça. A atmosfera que poderia ser sufocante se perde em um ciclo exaustivo de esconder, correr e gritar. A narrativa se limita a repetir o mesmo movimento: Maya se esconde, os mascarados a encontram, algo aleatório acontece, e tudo recomeça. Não há progressão, apenas desgaste.
Renny Harlin tenta transformar essa repetição em tensão, mas o resultado é o oposto. O filme parece se alimentar de sustos previsíveis e decisões irracionais. Personagens jogam fora armas, abrem portas que acabaram de trancar e caminham de volta para o perigo como se o roteiro exigisse burrice em nome do entretenimento. O medo é mecânico, a lógica ausente, e a paciência do público vira a verdadeira vítima.
Há também a tentativa de explicar os mascarados, uma escolha que mina o que havia de mais eficaz no original: o mistério. Dar origem ao mal raramente o torna mais assustador. Aqui, ele se torna banal. Ao revelar fragmentos do passado de um dos assassinos, o filme destrói o que restava de ambiguidade. O horror deixa de ser inquietante e passa a ser didático, como se precisasse justificar a crueldade para continuar existindo.
Visualmente, Harlin até tenta compor algo grandioso. Há jogos de luz e sombra que piscam o tempo todo para o cinema de John Carpenter, e a presença dos mascarados ainda carrega um certo peso icônico. Mas o impacto visual não compensa o vazio narrativo. O ataque de um javali digital, aparentemente inspirado em “O Regresso”, é o ponto máximo do absurdo, um delírio deslocado que sintetiza o caos criativo do filme.
Madelaine Petsch se esforça para dar vida a uma personagem constantemente rebaixada pela direção e pelo roteiro. Ela é convincente no desespero, mas o filme jamais a deixa evoluir. É como se Maya estivesse presa num pesadelo sem significado, repetindo gestos sem propósito enquanto o público observa a espiral do tédio.
O que poderia ser uma reflexão sobre o trauma se transforma em um exercício de redundância. “Os Estranhos: Capítulo 2” é o retrato de um terror que perdeu o próprio instinto. A promessa de tensão se dissolve em fórmulas esgotadas, e o medo cede espaço ao cansaço. É um filme que corre muito, mas não sai do lugar.
“Os Estranhos: Capítulo 2”
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Elenco: Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Rachel Shenton
Disponível nos cinemas
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