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Crítica: “Os Roses: Até Que A Morte Os Separe” (The Roses)

Texto: Ygor Monroe
1 de setembro de 2025
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Existem filmes que te prendem mais pelo jogo de atores e pelo ritmo dos diálogos do que pela trama em si. “Os Roses: Até Que A Morte Os Separe”, dirigido por Jay Roach, é um desses casos. A narrativa mergulha no cotidiano de Ivy (Olivia Colman) e Theo (Benedict Cumberbatch), um casal que parece ter conquistado a perfeição: sucesso profissional, filhos encantadores e uma relação aparentemente sólida. Mas por trás dessa fachada de harmonia, resentimentos antigos e pequenas disputas diárias começam a corroer a relação, mostrando que nem sempre o amor é suficiente para sustentar uma vida inteira de expectativas.

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Crítica: "Os Roses: Até Que A Morte Os Separe" (The Roses)
Crítica: “Os Roses: Até Que A Morte Os Separe” (The Roses)

A força do filme está no roteiro de Tony McNamara, que cria diálogos afiados, rápidos e cheios de nuances. O humor surge na tensão entre os personagens, na competição velada, nas implicâncias cotidianas e nas observações mordazes sobre casamento e sucesso pessoal. Ivy e Theo vivem uma batalha silenciosa de egos e vontades: enquanto a carreira de Ivy decola, Theo enfrenta frustrações e perdas, criando uma tempestade perfeita de ciúmes, insegurança e rivalidade que explode em momentos de humor ácido e tensão constante.

Olivia Colman e Benedict Cumberbatch possuem química impressionante. Colman equilibra graça e intensidade, tornando Ivy uma personagem complexa que se impõe sem perder empatia. Cumberbatch dá densidade a Theo, mostrando o lado vulnerável de um homem que luta para manter relevância e identidade em meio ao colapso do casamento. A dupla carrega o filme, transformando cada diálogo em uma dança entre afeto e confronto, garantindo que o espectador se envolva, mesmo quando a narrativa caminha por lugares previsíveis.

O elenco de apoio, com Andy Samberg e Kate McKinnon, adiciona leveza e ritmo, funcionando como contraponto à tensão central. Samberg, em especial, consegue roubar algumas cenas com sutileza, sem se tornar caricatural, enquanto McKinnon contribui com momentos de humor que reforçam o caos familiar e social ao redor do casal principal. O filme ainda se apoia em uma direção precisa de Roach, que mantém o ritmo constante e evita que o tom cômico se torne superficial. A escolha de suavizar a crítica mais ácida presente na obra original cria um efeito ambíguo: a história permanece divertida e envolvente, mas perde um pouco do impacto dramático que poderia a elevar de uma comédia dramática a uma reflexão incisiva sobre casamento, poder e ego.

O grande mérito de “Os Roses: Até Que A Morte Os Separe” está no equilíbrio entre humor, tensão e observação social. Cada cena, mesmo nas situações mais triviais, revela fragilidades humanas, egos inflados e o esforço de sustentar aparências. É uma obra que entretém, diverte e provoca pequenas reflexões sobre o que acontece quando a perfeição imaginária entra em colisão com a realidade. Apesar de momentos de repetição no humor, o filme permanece como um registro vívido de personagens humanos, imperfeitos e, ao mesmo tempo, irresistíveis.

Em resumo, “Os Roses: Até Que A Morte Os Separe” não é uma comédia dramática revolucionária, mas cumpre sua função com inteligência, ritmo e performances sólidas, provando que mesmo em histórias sobre casamentos desmoronando, há espaço para riso, identificação e pequenas surpresas emocionais. É um filme que conquista pelo talento de seus atores, pelo cuidado do roteiro e pela habilidade de transformar conflitos domésticos em entretenimento envolvente.

“Os Roses: Até Que A Morte Os Separe”
Direção: Jay Roach
Roteiro: Tony McNamara
Elenco: Olivia Colman, Benedict Cumberbatch, Andy Samberg
Disponível em: No cinema

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

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