Reneé Rapp decidiu parar de se segurar. Em “Bite Me”, ela deixa o controle escorregar de propósito para nos mostrar o que sobra quando a pose cai. O disco inteiro funciona como uma ferida exposta que recusa curativo, mas exige ser vista. E o melhor: ela faz disso um espetáculo. Tem grito, ironia, raiva e sarcasmo empilhados num álbum que não se contenta em seguir uma fórmula ou mesmo em manter uma estética estável. Ela muda de humor como quem troca de roupa e transforma a própria inconstância num traço de identidade.
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O caos emocional aqui é proposital, quase militante. Reneé joga sujo com os próprios sentimentos e transforma isso em performance. Ela pula de um som rasgado, quase roqueiro, para momentos em que tudo parece sussurrado num quarto escuro. Nada é linear. Nada é suave. A cada curva, ela projeta mais de si, mesmo quando o que se projeta é desconfortável, exagerado, ou até cômico de tão intenso. A entrega é honesta o suficiente pra parecer quase improvisada. Mas não se engane: por trás do caos, há uma artista extremamente consciente do próprio impacto.
“Bite Me” funciona como uma exibição pública de ego, fraqueza e vaidade, tudo junto. Reneé sabe que está sendo assistida. E usa isso como parte da composição. O disco não tem vergonha de ser teatral, nem de ser impulsivo. Ele flerta com o pop, com o rock, com uma leveza R&B e até com devaneios acústicos, como quem abre todas as janelas do quarto e deixa qualquer corrente de ar entrar. Essa liberdade criativa é a alma do projeto, e talvez o motivo pelo qual ele causa tanto desconforto quanto fascínio.
A produção sabe quando gritar e quando silenciar. Os arranjos brilham justamente por esse jogo de opostos. Às vezes tudo é turvo, abafado, quase intencionalmente inacabado. Em outras, a clareza vem como uma bofetada, seca, sem esconder nada. O vocal de Reneé acompanha esse movimento com precisão assustadora. Ela sabe soar vulnerável, sabe soar cruel, sabe soar debochada, e usa cada uma dessas vozes com um senso cirúrgico de impacto.
O álbum tem suas dobras, seus tropeços, seus exageros e até seus momentos mais apagados, mas nada disso o enfraquece. Pelo contrário. O que sustenta “Bite Me” é a coragem de falhar, de não agradar o tempo inteiro, de parecer demais. O álbum tem cheiro de impulsividade juvenil e, ainda assim, carrega um cinismo adulto que provoca. Reneé Rapp não quer ser digerida fácil. Ela prefere incomodar. E é exatamente aí que mora sua força.
O que ela entrega aqui é um pop agressivo, cheio de personalidade, que recusa a perfeição como meta estética. “Bite Me” é para ser sentido antes de ser compreendido. E a sensação que fica é a de que Reneé está só começando a explorar até onde pode ir quando larga completamente os freios.
É intenso, às vezes desconcertante, mas impossível de ignorar. E essa, talvez, seja a vitória mais autêntica do álbum.
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