Chegar ao décimo álbum é um feito para qualquer banda, e “Ricochet” marca esse ponto na carreira do Rise Against. A expectativa era de um trabalho maduro, capaz de renovar o peso e a relevância de uma banda que já foi sinônimo de energia crua e consciência política dentro do punk rock. O que recebemos, porém, é um disco que parece viver no meio do caminho entre a tentativa de modernização e a perda do impacto que sempre definiu o grupo.
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A produção, conduzida por Catherine Marks, é um dos pontos mais comentados desde o anúncio. E com razão. O álbum sofre de uma sonoridade que oscila entre o excesso de polimento e a falta de acabamento. É como se o Rise Against tivesse apostado em novas texturas e influências, mas não tivesse encontrado a forma certa de equilibrá-las com sua identidade. Há momentos em que o instrumental se aproxima de algo potente, mas logo é abafado por escolhas de mixagem que tiram a força das músicas.
O conceito de “Ricochet” é forte: refletir sobre a interconexão do mundo, sobre como cada gesto reverbera em escala global. A ideia é instigante, tem potência poética e política. O problema é que a execução não acompanha. O disco fala em coletividade, mas soa distante, fragmentado, quase estéril. O resultado final passa longe da intensidade que esse tema mereceria.
Tecnicamente, existem qualidades. O trabalho de guitarra mantém alguma solidez, os riffs ainda carregam uma assinatura que remete ao auge do Rise Against, e o baixo continua robusto, preenchendo espaços com competência. Mas essa base, que poderia sustentar um disco memorável, é prejudicada pela falta de clareza da produção. A voz de Tim McIlrath, que sempre foi catalisadora da mensagem da banda, aqui aparece muitas vezes soterrada por efeitos, perdendo nitidez e urgência.
O maior problema de “Ricochet” talvez seja a falta de energia. Punk rock pode ser muitas coisas, mas nunca deveria ser apático. E neste álbum a chama parece fraca. É um trabalho que soa cansado, mais preocupado em experimentar fórmulas alheias do que em preservar a visceralidade que fez o Rise Against se destacar. O risco foi assumido, mas sem a convicção necessária para dar sentido ao experimento.
O disco não é um completo desastre. Há lampejos de criatividade, alguns instantes em que a fúria quase retorna, e a sensação de que, em outro contexto de mixagem e produção, o resultado poderia ter sido mais convincente. Mas esses momentos são escassos, e não salvam a obra como um todo.
No fim, “Ricochet” é um álbum que tenta dialogar com a modernidade, mas acaba enfraquecendo a identidade de uma banda que sempre se sustentou pela autenticidade e pela entrega intensa. O Rise Against não perdeu sua relevância histórica, mas aqui entrega um trabalho que dificilmente vai ecoar como gostaria. É um disco que desperta mais frustração do que impacto, e que provavelmente será lembrado como um tropeço em uma discografia que já teve muito mais brilho.
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