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Crítica: “Sempre Garotas” (Girls Will Be Girls)

Texto: Ygor Monroe
30 de abril de 2025
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

“Sempre Garotas” é uma narrativa de amadurecimento sensível e cuidadosamente construída que se destaca tanto por sua perspectiva feminina quanto por seu olhar intergeracional sobre sexualidade, autoridade e autonomia. Em sua estreia como diretora, Shuchi Talati oferece um retrato íntimo e corajoso do despertar de uma jovem em um internato do Himalaia, ao mesmo tempo em que examina com precisão a forma como estruturas sociais impõem expectativas opressivas sobre o comportamento feminino atravessando gerações.

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Crítica: "Sempre Garotas" (Girls Will Be Girls)
Crítica: “Sempre Garotas” (Girls Will Be Girls)

No centro da trama está Mira (Preeti Panigrahi), uma adolescente disciplinada e aplicada que carrega o peso de ser exemplo em um ambiente de rigidez moral e acadêmica. Sua rotina é abalada pela chegada de Sri (Kesav Binoy Kiron), um novo aluno cujo carisma e sensibilidade despertam nela um desejo ainda não compreendido. A relação entre os dois é construída com naturalidade e nuance, transitando da curiosidade para a intimidade sexual com uma honestidade rara no cinema adolescente contemporâneo. Há uma recusa clara em fetichizar ou acelerar o processo de descoberta: a câmera observa sem invadir, os diálogos se desenvolvem sem didatismo, e a vulnerabilidade é tratada com respeito.

No entanto, o verdadeiro eixo dramático do filme se encontra na relação entre Mira e sua mãe, Anila (Kani Kusruti), que funciona como antagonista moral e afetiva da narrativa. Anila é uma figura complexa: repressora, superprotetora e ressentida, mas também claramente marcada pelas frustrações e limitações impostas em sua própria juventude. O roteiro, também assinado por Talati, evita caricaturas fáceis. Ao longo da projeção, é revelado que a rigidez de Anila não é apenas controle, mas uma tentativa desesperada de proteger a filha dos mesmos destinos que a impediram de se desenvolver plenamente como mulher. Em momentos sutis, o filme sugere uma identificação ambígua e incômoda entre mãe e filha, como se Mira representasse para Anila tanto um espelho quanto uma ameaça.

Do ponto de vista estrutural, a montagem poderia ser mais concisa. O segundo ato se estende além do necessário, repetindo algumas dinâmicas que já haviam sido estabelecidas com clareza – como as frequentes interrupções da mãe nas interações entre Mira e Sri. Essas escolhas acabam diluindo parte da força emocional do terceiro ato, que, por outro lado, compensa ao entregar uma resolução catártica, delicada e poderosa, com destaque para a cena final entre mãe e filha, um momento de rara contenção que resume as tensões acumuladas durante toda a narrativa.

Esteticamente, o filme adota uma abordagem naturalista, com fotografia que valoriza os interiores austeros e o clima serrano do internato. A câmera de Jih-E Peng trabalha em planos fechados que ressaltam a introspecção e a fisicalidade contida da protagonista. O uso da iluminação e da profundidade de campo é sutil, mas eficaz, especialmente nas cenas em que Mira experimenta o silêncio e o vazio de suas dúvidas internas. A trilha sonora é minimalista e pontual, permitindo que o drama emocional respire por meio das performances – e nesse quesito, a estreante Preeti Panigrahi impressiona ao construir uma personagem de múltiplas camadas com extrema precisão emocional.

“Sempre Garotas” é, acima de tudo, um estudo sobre desejo feminino, culpa social e o ciclo intergeracional da repressão. Seu mérito maior está em compreender que crescer, para uma jovem mulher, muitas vezes significa aprender a nomear e reivindicar desejos em um mundo que insiste em negá-los. Ao evitar fórmulas, resistir à romantização do sofrimento e humanizar todas as suas personagens – inclusive as mais contraditórias –, o filme se estabelece como uma das mais relevantes produções indianas contemporâneas sobre adolescência e gênero.

“Sempre Garotas” não reinventa o coming-of-age, mas o aprofunda com rara empatia e contundência. É um retrato honesto, paciente e necessário sobre amadurecimento, controle materno, desejo e liberdade. Ao final, não se trata apenas de uma história sobre meninas que crescem, mas sobre mulheres que, em qualquer idade, tentam romper as estruturas que as mantêm caladas. Uma estreia autoral que merece atenção.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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