Quando a promessa é mergulhar em trauma, manipulação e guerra psicológica, o mínimo esperado é encontrar um caminho narrativo que sustente esse peso. “Soldado de Chumbo” até ensaia esse mergulho, mas rapidamente se perde em um emaranhado de ideias que parecem retiradas de outros filmes e reorganizadas sem uma lógica clara.

A trama acompanha Nash Cavanaugh, vivido por Scott Eastwood, um ex-soldado forçado a revisitar um passado que envolve um culto formado por veteranos. A proposta, no papel, carrega potencial. Um grupo que mistura fé, trauma e doutrinação poderia render um estudo intenso sobre fragilidade emocional e controle. O problema é que o filme nunca organiza essas ideias de forma convincente, criando uma narrativa confusa e cheia de lacunas.
O líder desse culto, Bokushi, interpretado por Jamie Foxx, deveria ser o grande eixo da história. Um personagem carismático o suficiente para mobilizar seguidores dispostos a tudo. Na prática, falta exatamente isso, carisma e construção. A figura apresentada oscila entre o excêntrico e o artificial, sem justificar por que alguém o seguiria cegamente. Suas motivações são vagas, seus planos pouco claros e suas ações frequentemente desconectadas.
A direção de Brad Furman tenta sustentar a tensão com uma estética que aposta em intensidade, mas esbarra em escolhas que mais confundem do que envolvem. Sequências de ação sofrem com enquadramentos que escondem mais do que mostram, prejudicando o impacto dos confrontos. O clímax, que deveria ser o ponto alto, acaba diluído em uma execução visual pouco eficaz.
No centro disso tudo, Robert De Niro surge em participação que parece breve demais para o peso de seu nome. Sua presença adiciona expectativa, mas o desenvolvimento não acompanha. Fica a sensação de um personagem subaproveitado, inserido mais como apoio do que como peça essencial.
O roteiro acumula perguntas que nunca encontram resposta. A origem do culto, o envolvimento do governo, os objetivos finais e até mesmo relações pessoais do protagonista são tratados de forma superficial. Essa ausência de explicação compromete o envolvimento, tornando difícil investir emocionalmente na história.
Há ainda uma tentativa de trabalhar o trauma dos veteranos, um tema delicado e relevante. No entanto, a abordagem simplifica questões complexas e, em alguns momentos, soa até incoerente com o comportamento dos próprios personagens. O filme toca em assuntos importantes, mas não demonstra profundidade suficiente para desenvolvê-los.
Entre atuações irregulares e um roteiro que não encontra direção, “Soldado de Chumbo” se transforma em um projeto que parece maior do que realmente é. A sensação constante é de um filme que quer dizer muito, mas não consegue organizar suas próprias ideias. O resultado é uma experiência que oscila entre o genérico e o confuso, sem alcançar o impacto que sua proposta sugere.
“Soldado de Chumbo”
Direção: Brad Furman
Elenco: Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro
Disponível em: Amazon Prime Video
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