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Crítica: “Um Homem Sem Passado” (Man with No Past)

Existe algo de meio absurdo e meio fascinante em um filme como “Um Homem Sem Passado”. Uma espécie de devaneio com os dois pés no chão. A trama? Um sujeito acorda sem memória em um cenário qualquer e, a partir daí, começa a catar migalhas de quem foi. Mas o que se desenrola não é apenas mais um thriller com amnésia. O filme decide brincar com reencarnações, saltos temporais, guerras antigas e pancadaria mística como se tudo coubesse numa hora e meia de tela.

Crítica: “Um Homem Sem Passado” (Man with No Past)

A ambição do filme é o que mais pulsa aqui. E pulsa forte, mesmo com pouco orçamento.

Adam Woodward segura tudo nas costas com um tipo de presença que parece não pertencer a tempo algum. Ele simplesmente aparece em todas as épocas com a mesma cara de quem já viu tudo e mais um pouco. Roma, Segunda Guerra, revoluções de rua ou noites suadas em algum beco do futuro. Não importa o figurino, ele está lá, seco, sóbrio e pronto pro próximo soco. Não é um papel profundo, mas é magnético, e isso basta pra não desgrudar o olho da tela.

As cenas de ação seguem um caminho oposto ao do roteiro: são diretas, certeiras, com um senso físico de impacto que levanta o filme em seus momentos mais banais. James Bamford, que entende do riscado quando o assunto é coreografia de combate, injeta energia nos confrontos e compensa parte da bagunça narrativa com força bruta. E sim, tem slow motion demais, mas é o tipo de exagero que quase vira assinatura.

A parte mais caótica está no texto. A tentativa de empilhar séculos de conflitos, almas recicladas e dilemas existenciais em um enredo enxuto esbarra nos próprios limites. Há frases que tentam parecer profundas mas soam como aqueles adesivos de parede que se compra em loja de decoração. Ainda assim, a honestidade da obra em sonhar alto é o que mais encanta. Há um desejo evidente de dizer algo maior, mesmo que a boca do filme não seja grande o suficiente pra conter tudo.

Jon Voight parece ter saído de um filme totalmente diferente. Ele fala coisas que a gente esquece antes mesmo de processar. Marton Csokas está bem melhor como vilão genérico com olhar cortante e cara de poucos amigos. São aparições que preenchem, mas não definem.

“Um Homem Sem Passado” funciona quando aceita ser o que é: um épico de bolso, feito com suor e imaginação. É um filme que não pede licença pra misturar romance, filosofia pop e porrada de rua. E tudo isso com uma trilha de filtro Instagram e cara de telefilme que tenta ser maior que o mundo. E olha, em alguns momentos, quase consegue.

Não é sobre lógica. É sobre entrega. Sobre ousar mesmo sem garantias. Sobre ser um filme que jamais existiria com um estúdio grande por trás. E por isso mesmo, é impossível não torcer por ele.

“Um Homem Sem Passado”
Direção: James Bamford
Elenco: Adam Woodward, Marton Csokas, Jon Voight
Disponível no Paramount+

Avaliação: 3 de 5.

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