Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
Sem resultados
Ver todos os resultados

Crítica: “Valor Sentimental” (Sentimental Value)

Texto: Ygor Monroe
11 de dezembro de 2025
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Logo nos primeiros minutos de “Valor Sentimental”, fica evidente que este filme opera em uma zona onde memória, culpa e afeto se chocam de maneira quase elétrica. A obra abre suas portas como quem convida o público a entrar em uma casa movida por fantasmas. Cada cômodo guarda uma ferida, cada sombra esconde uma verdade que empurra os personagens para o limite entre o amor que ainda tenta sobreviver e a história que insiste em romper qualquer tentativa de reconciliação. O filme vibra como um diário emocional deixado aberto sobre a mesa, esperando que alguém tenha coragem de ler.

Crítica: "Valor Sentimental" (Sentimental Value)
Crítica: “Valor Sentimental” (Sentimental Value)

A trama acompanha Gustav Borg, diretor de cinema consagrado, pai distante de Nora e Agnes, figura central de um relacionamento marcado por rachaduras que atravessam gerações. Quando Gustavo decide transformar sua vida em obra, convidando Nora para assumir o papel principal de seu grande retorno, essa suposta homenagem inaugura uma tensão que se espalha por toda a estrutura dramática. A recusa da filha, seguida pela escolha de Rachel Kemp, estrela americana interpretada por Elle Fanning, aciona um jogo de espelhos onde arte e intimidade se confundem até perder fronteiras. A casa da família vira palco e testemunha. Rachel vira catalisadora. E as duas irmãs encaram o incômodo de reencontrar um pai que sempre esteve presente de forma irregular, quase como sombra fixa no canto do quadro.

Essa metáfora das sombras se transforma em linguagem visual. A fotografia trata a luz como ferida aberta, cria ambientes onde claridade e escuridão disputam cada centímetro da imagem, revelando que certas ausências têm força suficiente para moldar até os espaços vazios. Um diretor que declara amar sombras inevitavelmente usa essa obsessão para narrar sua própria incapacidade de lidar com os vínculos que destruiu. A cada corte para o preto, Joachim Trier transforma o silêncio em comentário, como se sugerisse que a vida real também se organiza em fragmentos que a memória decide apagar.

Em uma sequência marcante envolvendo Agnes, a busca por respostas sobre o passado da tia-avó expõe camadas novas desta história. As luzes que se acendem enquanto ela percorre o corredor do arquivo público funcionam como metáfora direta: a verdade não apenas surge, ela invade e modifica. A fotografia, antes densa e cheia de lacunas, passa a operar com outra tonalidade, ampliando a suspeita de que os traumas da família se espalham para além da superfície. O filme retorna repetidamente a essa ideia de que investigar o passado exige atravessar zonas de sombra que se recusam a desaparecer por completo.

O desenho de câmera mostra uma maturidade elegante. Trier se permite planos mais longos, zooms lentos, movimentos que tratam o espaço como personagem consciente, principalmente a casa, que absorve conflitos, memórias e silêncios. É como se as paredes tivessem acumulado décadas de tensão emocional e agora devolvessem tudo de volta, gota a gota, durante todo o percurso narrativo.

O grande triunfo de “Valor Sentimental” está na maneira como libera sua força para o elenco. Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning entregam performances guiadas por precisão emocional e coragem cênica. Trier conduz os atores com clareza, mas é nítido que confia neles, oferecendo espaço para que cada gesto carregue significado. A interpretação de Skarsgård, sobretudo, projeta um Gustav magnético, brilhante e falho, um homem que transforma admiração em muros que afastam quem mais tenta alcançá-lo.

A obra de Trier ecoa questões sobre abandono emocional, criação artística e a forma como tentamos transformar dor em linguagem. “Valor Sentimental” é um filme sobre pessoas que aprenderam a viver quebradas e, ainda assim, seguem procurando maneiras de se reconhecer dentro desse caos. Mesmo quando os personagens conduzem o público por zonas densas, o filme mantém uma ternura discreta, quase secreta, como se sugerisse que existe beleza em encarar o que machuca, desde que se faça isso com honestidade.

O resultado é uma narrativa profundamente humana, filmada com rigor técnico e sensibilidade estética, construída para permanecer. “Valor Sentimental” carrega uma força que ultrapassa o drama familiar. Fala sobre heranças emocionais que insistem em se repetir, sobre medo de intimidade, sobre a capacidade que a arte tem de escancarar aquilo que o cotidiano tenta esconder. Uma obra que abraça o público pelas fissuras e transforma cada sombra em matéria dramática.

“Valor Sentimental”
Direção: Joachim Trier
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning
Disponível em 25 de dezembro de 2025 nos cinemas

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Compartilhe isso:

  • Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...
Temas: CríticaResenhaReview

Conteúdo Relacionado

Cinemas/Filmes

Crítica: “Destruição Final 2” (Greenland 2: Migration)

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Dhurandhar”

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Netflix

Crítica: “Patinando no Amor” (Finding Her Edge) – primeira temporada

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Netflix

Crítica: “Bridgerton” – quarta temporada, parte 1

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Cinemas/Filmes

“Michael” apresenta fases decisivas da carreira de Michael Jackson em novo trailer

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Os Malditos” (The Damned)

Texto: Ygor Monroe
2 de fevereiro de 2026
Cinemas/Filmes

Trailer de “O Diabo Veste Prada 2” antecipa conflito entre Miranda e Emily

Texto: Ygor Monroe
2 de fevereiro de 2026

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

%d