“Vingança Fatal” é aquele tipo de filme que, no papel, parece ter todos os ingredientes para segurar a atenção do público: um enredo centrado na sede de vingança, um elenco recheado de nomes conhecidos e a promessa de ação crua e direta. Mas basta mergulhar na narrativa para perceber que o que poderia ser uma obra explosiva acaba se tornando um thriller irregular, que oscila entre momentos de intensidade e longas passagens de pura previsibilidade.
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A trama acompanha William Duncan, interpretado por Clive Standen, um homem comum que vê sua vida ruir após o assassinato brutal de sua filha. Diante de uma justiça falha e de um sistema incapaz de punir os responsáveis, William decide agir por conta própria. A escolha o coloca em rota de colisão com uma gangue liderada por Rory Fetter, vivido por Theo Rossi, e o filme se organiza em torno dessa espiral de violência. Não há mistério: a cada passo, sabemos que o ciclo de vingança só pode terminar de uma forma.
O roteiro de Jared Cohn aposta em uma estrutura clássica do cinema de ação e suspense, mas não consegue escapar da sensação de déjà-vu. As situações se repetem, os personagens agem sem profundidade psicológica e a rivalidade central, que deveria carregar o peso da história, soa mais fabricada do que orgânica. Ao mesmo tempo, o longa busca equilibrar brutalidade com emoção, mas raramente alcança um ponto de impacto real.
O elenco, embora chamativo no papel, não encontra espaço para brilhar. Clive Standen carrega bem o arco do protagonista, mas carece de nuances que tornem William mais do que um arquétipo de herói vingativo. Bruce Willis, em uma de suas últimas aparições no cinema, surge quase como figurante de luxo, sem relevância narrativa e com pouco tempo de tela. Thomas Jane e Mike Tyson completam o time, mas não conseguem alterar o resultado mediano do conjunto.
Visualmente, “Vingança Fatal” possui um acabamento sólido, com boas cenas de ação, filmadas de forma limpa e sem exageros digitais. É nesse aspecto que o filme surpreende positivamente: as perseguições, os tiroteios e até mesmo as explosões têm um aspecto físico, palpável, que resgata um certo charme dos thrillers de ação dos anos 90. A violência, embora presente, nunca se torna verdadeiramente brutal, o que tira do filme a chance de marcar território em um gênero que exige intensidade.
No entanto, é impossível ignorar os limites impostos pela falta de ritmo. O filme engata apenas em momentos pontuais, como na metade e no clímax final, mas até chegar lá exige do público uma boa dose de paciência. Entre cenas burocráticas e diálogos pouco inspirados, “Vingança Fatal” perde oportunidades de explorar melhor a relação entre justiça, moralidade e vingança pessoal.
Há, sem dúvida, uma tentativa de transformar o simples em algo mais denso. O problema é que a execução não sustenta a ambição. Jared Cohn, que já passou por produções de baixo orçamento como “Atlantic Rim” e “Deadlock”, mostra aqui uma evolução técnica, mas ainda não alcança a consistência necessária para elevar sua obra acima do rótulo de entretenimento descartável.
“Vingança Fatal” não é um desastre. É um filme que cumpre o básico do gênero, entrega algumas sequências de ação competentes e pode até entreter quem procura apenas uma distração rápida. Mas fica longe de ser memorável. O resultado é um thriller que se mantém de pé, mas sempre aquém do potencial sugerido por seu elenco e por sua premissa.
“Vingança Fatal”
Direção: Jared Cohn
Elenco: Bruce Willis, Clive Standen, Thomas Jane, Theo Rossi, Mike Tyson
Disponível em: Prime Video
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