É estranho pensar que “Zombies 4: A Era dos Vampiros” existe. E mais ainda que ele insiste em existir com um ar de “grande evento”, como se estivéssemos ansiosos por mais uma fatia da pizza adolescente sobrenatural da Disney. O que antes era minimamente curioso como uma proposta musical despretensiosa, virou uma repetição tão calculada que até os zumbis parecem cansados de suas próprias piadas internas.
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A trama leva Zed e Addison para um acampamento de verão, onde encontram duas novas comunidades: os Daywalkers e os Vampiros. Cada grupo vive isolado em suas bolhas mitológicas, brigando por um tal de “blood fruit”, recurso que, honestamente, é o símbolo mais bobo que o roteiro podia inventar para tentar dizer algo sobre escassez e rivalidade tribal. Tudo soa tão artificial que nem os efeitos mágicos escondem o quão frágil a história é.
Os conflitos são entregues em blocos didáticos: monstros brigam, os protagonistas tentam unir, vilões mais velhos dificultam, adolescentes cantam e dançam para resolver. O filme acredita que está oferecendo lições profundas sobre união, diversidade e superação de traumas geracionais, mas tudo se resolve com a simplicidade de um refrão pop chiclete e um abraço coletivo.
Victor e Nova, os novos rostos da vez, funcionam mais como engrenagens para a moral da semana do que como personagens com qualquer profundidade real. A ideia de que dois jovens líderes se reconhecem por visões místicas e imediatamente se conectam é o tipo de romance fast-food que nem tenta disfarçar o quanto está sendo empurrado pela força do roteiro.
Há coreografias ensaiadinhas, músicas que grudam por alguns segundos e saem pela outra orelha, efeitos visuais que beiram o vídeo institucional e um humor que já foi melhor. A direção até tenta manter o fôlego da saga, mas fica evidente que a fórmula perdeu o gás. O público adolescente pode até comprar o produto, mas a sensação de reciclagem pesa.
Do ponto de vista técnico, é tudo muito funcional. Os personagens seguem a mesma lógica de edições anteriores: são sobrenaturais domesticados, com poderes úteis para a resolução dos conflitos, mas cuidadosamente editados para não assustar ninguém. Zumbis que não mordem, vampiros que evitam sangue e lobos que mais parecem atletas de parque. A única coisa que esse mundo mágico assusta é o roteiro preguiçoso.
A parte “moral” do enredo é tão escancarada que beira o paternalismo. Os adultos são sempre os vilões, presos ao passado, enquanto os jovens surgem como salvadores iluminados pela empatia. É um maniqueísmo que desvaloriza as nuances que o tema poderia alcançar, reduzindo tudo a uma lição de casa audiovisual.
Mesmo com a tentativa de apelo emocional, o filme falha em provocar qualquer comoção real. Há uma distância entre a intenção e o impacto, entre o discurso sobre aceitação e a construção rasa dos personagens. O que sobra é um musical bonitinho, feito com a cartilha do algoritmo, onde tudo é limpo, fofo e esquecível.
“Zombies 4: A Era dos Vampiros” não escapa do destino das sequências que não sabem a hora de parar. Ainda que se esforce para parecer atual e cheio de mensagens importantes, entrega pouco além de barulho coreografado. Para quem acompanhou a saga desde o começo, talvez reste a curiosidade. Para o resto do mundo, basta saber que o verão dos monstros já está no final e o que eles mais precisam agora é de um descanso.
“Zombies 4: A Era dos Vampiros” (2025)
Direção: Paul Hoen
Elenco: Meg Donnelly, Milo Manheim, Chandler Kinney
Disponível em: Disney+
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