Em trabalho de estreia, Renan Augusto Dias passeia pelos últimos anos através de sentimentos antagônicos

Foto: Flávia Baxhix

Muito se diz sobre como a sociedade vai sair/está saindo da pandemia, mas outra questão é como entramos na pandemia. E se duas músicas ilustrassem o seu “eu” antes do período de isolamento e outras duas te retratassem no auge da crise mundial? É nessa linha de raciocínio que se construiu o EP “As Palavras Sem Poder”, trabalho de estreia de Renan Augusto Dias que é lançado nesta quarta-feira (15) em todas as plataformas de streaming.

Inicialmente, a ideia era uma simples junção de duas músicas mais antigas e duas inéditas. “Reparei que esses pares de músicas acabaram definindo muito bem duas fases completamente diferentes da minha vida e do mundo, num todo. Como se fosse um Lado A e Lado B nessa divisão natural das coisas”, explica Dias.

O EP abre com “Postergar”, faixa com nome autoexplicativo para a letra e de sonoridade onde se destacam o violão folk acelerado em contraponto com o synth. Na sequência vem “Polaroid”, de letra autobiográfica que aborda com acidez a angústia do período mais agudo do isolamento social. “Não tem refrão, mal tem métrica, e acho que tudo isso traz essa estética meio caótica pra música, que fala de um momento não menos caótico da nossa vida”, explica o compositor. Na parte final o EP desacelera na romântica “Quase Certo” e volta a ficar pulsante na faixa mais folk do trabalho, “O Avesso é o Meu Melhor Lado”, com um compilado de conselhos e recomendações.

Renan Augusto Dias tem a bateria como seu primeiro instrumento, é o detentor das baquetas nas bandas Tropicadelia e Código de Conduta, mas aqui o violão folk tocado por ele é o elemento que puxa e conecta a sonoridade pop folk das faixas, que foram produzidas por Bryan Baietta, com exceção de “Polaroid”, que ficou a cargo do produtor Alexandre Soares

Sobre a unidade da temática do trabalho como um todo, o compositor enxerga um fio condutor: “Acho que o que conecta as músicas é exatamente essa impressão de “tempo” que cada uma delas traz. É como se contassem uma história de uma pessoa apaixonada e corajosa, que depois de um tempo se desencoraja, posterga e reclama”, afirma.

No entanto, as duas músicas feitas durante a pandemia estão abrindo o EP, subvertendo a ordem cronológica. “Estamos em tempos bem menos terríveis, querendo ter sentimentos e pensamentos mais próximos do que tínhamos antes do mundo passar por tudo isso. Dessa forma, acho que cabe aqui uma licença poética pra inverter essa cronologia e terminar o EP evocando tempos melhores como antes”, justifica Dias. 

Capa

A foto da capa, da fotógrafa e artista multimídia Flávia Baxhix, reforça a ideia de sentimentos antagônicos abordada nas músicas.”Levei a ideia para o maquiador Bruno Herrera e ele pensou nessa onda quase bifásica, mesmo. Com metade do rosto machucado, com o olho roxo, representando as porradas da vida, e a parte colorida e com formas arredondadas representando a bonança e a calmaria do outro pedaço”, detalha o músico.

%d blogueiros gostam disto: