Entrevista: Rodrigo Suricato fala sobre “One Man Band”, projeto ao vivo que reforça o poder de um músico sobre todos os instrumentos

Suricato

Em agosto, Rodrigo Suricato fez live na qual reuniu as principais canções dos três discos anteriores, compostos e idealizados pelo artista. O resultado desta performance já poder ser conferido pelo público nas plataformas digitais, pela Universal Music, o primeiro de dois EPs, contendendo também três faixas inéditas e releituras inusitadas como “Olhos Castanhos” (Luísa Sonza), “Nosso Estranho Amor” (Caetano Veloso) e “Purple Rain” (Prince). O EP reforça Suricato como o maior ‘one man band’ brasileiro, modernizando o estilo criado por músicos de rua no início do século XIX.

Com a criatividade a todo vapor, Suricato acaba de receber uma nova indicação ao Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa”, pelo projeto “Na Mão As Flores”. Somente em 2020, Suricato chega ao impressionante número de três discos lançados e dois singles, entre eles “Astronauta”, ao lado da banda Melim.

Suricato surgiu no cenário musical em 2009, mas foi no programa Superstar, da Globo, em 2014, que a, até então banda, explodiu. Além do projeto solo, Rodrigo Suricato também é vocalista da banda Barão Vermelho. O Caderno Pop conversou com o artista sobre o projeto, volta aos palcos e já quis saber detalhes sobre a segunda parte do EP, que será lançado em breve. Veja:

Pra quem nunca viu, é difícil imaginar como funciona uma “one man band” no palco e a gente já conseguiu ver um pouco disso na live e ano passado. Em estúdio a gente sabe que a tecnologia permite e ajuda na hora de mixar tudo, mas como você fez pra levar isso pra apresentação?
Meu show novo demorou 6 anos pra ficar pronto. Nesse tempo pude aperfeiçoar toda parte técnica e de repertório. Hoje sigo sem modéstia que não existe nada parecido com isso no Brasil. Foram muitos ensaios e pesquisa. Ele tem um set eletrônico, um acústico e outro misturado. Isso me exige muita concentração pois não uso playback. Tenho que tocar tudo.

Falando em apresentações, os shows aos poucos estão voltando e você já pensou nesse retorno?
Parece um futuro distante. Não me sinto seguro de voltar, infelizmente não estamos prontos. Como isso não está ao meu alcance me concentro em como melhorar a comunicação com meus fãs no ambiente online.

A maioria dos compositores (senão todos eles) dá vida às músicas só com voz e violão, mas você tem que depois idealizar todos os instrumentos. Como é esse processo de, digamos, desenvolvimento de uma música?
Todas as minhas músicas surgem do violão e voz. Acredito que só nesse formato você consegue entender melhor a essência da canção. Os outros instrumentos são pensados num segundo momento e é muito legal eu saber tocar tanta coisa. A mala bumbo me ajuda muito nesse processo.

Você concorre ao Latin Grammy pelo álbum “Na Mão as Flores” que você já disse em entrevistas anteriores ser autobiográfico. Pelo menos nessa primeira parte do EP você não divulgou nenhuma música do “Suricateando” e só algumas do “Na Mão as Flores”. Na segunda parte a gente vai ouvir material mais recente?
Esse é meu primeiro disco ao vivo e pensei em ter uma coletânea da minha carreira em arranjos diferentes dos originais. A segunda parte contará com mais canções do “Na Mão as Flores”. Deixei o material do “Suricateando” de fora, pois o lançamento dele foi quase colado com o ao vivo. Estou muito feliz com a indicação, chorei três horas seguidas. É duro tomar todas as decisões artísticas e musicais do meu projeto em silêncio, lutando contra a insegurança e autossabotagem. A indicação premiou minha coragem de lutar pelo que sou.

Ouça o EP:

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