Antes de subir ao palco do Sesc Pinheiros para o show que celebra os 25 anos do disco “Mi Casa, Su Casa”, Érika Martins já estava em estado de festa. O reencontro com a história da Penélope, banda que marcou o pop rock brasileiro no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, acontece em um momento de reafirmação artística, de redescoberta do próprio repertório e, sobretudo, de maturidade.
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“No início eu fiquei pensando: será que o disco envelheceu? Mas, conforme a gente foi tocando, eu percebi que ele é atemporal. Muitos jornalistas comentam que a Penélope era muito à frente, e que agora o disco parece mais encaixado no tempo”, comenta Érika, refletindo sobre como o trabalho de estreia da banda reverberou por diferentes gerações.
A turnê de aniversário passou por unidades do Sesc em Birigui e Catanduva, como parte do festival Catandupedras, e culmina nesta sexta-feira (18) em São Paulo, no Sesc Pinheiros, com um show especial que recebe Otto, Erika Nande e Vanessa, da banda Ludov. A apresentação reúne faixas que ficaram marcadas na trajetória da banda, como “Holiday” e “Namorinho de Portão”, além de outras composições que evidenciam a força das letras, a energia performática e a sonoridade que misturava atitude pop, cultura alternativa e um olhar feminino sobre o mundo.
Mais do que relembrar o passado, o show é uma reafirmação de um trabalho que ainda pulsa com força no presente. “Eu nunca fui saudosista. Sempre achei que o melhor está por vir. E até em relação à Penélope, eu brinco nos ensaios que nunca estive tão bem como Penélope. Estou mais madura, mais à vontade no palco, cantando melhor. Isso reflete muito nesse momento atual”, afirma.
Ao revisitar as canções, Érika não apenas atualiza os arranjos, mas renova o sentido das letras ao lado de uma banda sólida: Fernando Americano, Fernanda Offner, Carol Lima e Luiz Lopez, todos somando diferentes influências. “A gente tem ali o punk da Fernanda, a doçura e firmeza da Carol, a sonoridade do Fernando… e o Luiz, que é quase um maestro, foi fã da Penélope por anos e tocou com o Erasmo Carlos por mais de uma década. Isso tudo faz o som crescer demais.”
A artista também observa a transformação da indústria musical desde a estreia da Penélope. A relação com gravadoras, o apagamento do rock no cenário mainstream e a reconstrução de público são questões que acompanharam sua trajetória. “Eu aprendi a comer pelas beiradas. A não depender de nada. Nem de gravadora, nem da internet. O que importa é criar esse público que me acompanha há tanto tempo. Um público curioso, com cultura musical, que se interessa não só pelo que eu faço, mas pela história da música brasileira.”
Érika cita com orgulho a regravação de Tom Zé no repertório da Penélope e revela incômodo com a falta de referências em parte do público atual. “Às vezes me assusta quando alguém nunca ouviu falar de Tom Zé ou Chico Buarque. A gente precisa mostrar para essas novas gerações como a música brasileira é rica.”
Quando questionada sobre que músicas indicaria para uma nova fã, uma garota de 15 anos que começa a descobrir o rock cantado por mulheres, Érika não hesita. Começa com “Holiday”, do primeiro disco da Penélope, e segue com “Continue Pensando Assim”, balada do segundo álbum da banda. Inclui “Sacarina”, faixa do seu primeiro disco solo com letra de Pedro Verissimo sobre uma mulher oprimida nos anos 1950. “Infelizmente, essa personagem ainda se encaixa na sociedade que a gente vive.”
A lista segue com “Céu de Planetário”, sua primeira parceria com Fernanda Bacai, e encerra com “Quando el Mundo Me Esquece”, música que embalou o casal protagonista de uma novela recente da TV Globo. “Essa música fala sobre ser protagonista da sua história. Sobre viver com liberdade e segurança. E é assim que eu me sinto hoje.”
O show no Sesc Pinheiros é mais do que uma celebração de aniversário. É uma prova de que a Penélope seguem em pleno movimento, expandindo repertório, se conectando com o presente e mostrando que a força de uma voz feminina no rock ainda tem muito a dizer.
Serviço
Show: Penélope — 25 anos do disco “Mi Casa, Su Casa”
Data: 18 de julho (sexta-feira)
Horário: 21h
Local: Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros
Ingressos: A partir de R$18 — Compre aqui
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