“Death Stranding 2: On the Beach” não é só um dos maiores lançamentos do ano, mas também um dos jogos mais intrigantes da cultura pop recente. Hideo Kojima volta a assinar o roteiro e a direção da sequência que leva Sam Porter Bridges a um novo capítulo, mais sombrio e simbólico, sem perder o fascínio pelas metáforas grandiosas e dilemas existenciais que já carregavam o primeiro título.
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Desta vez, a narrativa salta onze meses para frente. As Cidades Unidas da América estão totalmente conectadas pela rede quiral, a BRIDGES é página virada e o mundo agora se acostuma ao APAS, um sistema que coloca robôs não tripulados para fazer entregas, quase banindo os carregadores humanos. Mesmo assim, o planeta continua um campo de desastres sobrenaturais, com criaturas BTs ainda mais ferozes, surtos naturais constantes e a novidade: os tais “mechs fantasmas”, adversários que parecem cuspidos de um delírio tecnológico.
O ponto de partida é uma espécie de reclusão forçada. Sam vive afastado de tudo ao lado de Lou, sua filha adotiva, até ser puxado de volta para o caos por Fragile, que comanda agora a Drawbridge. O objetivo parece claro: conectar o México à rede quiral. Mas nada em “Death Stranding 2” é simples. Lou carrega um ID de BB que não aparece nos registros da UCA, levantando suspeitas que só ganham peso quando ela é dada como morta após um ataque devastador. Sam afunda em isolamento até ser convencido por Fragile a atravessar um dos portões de placas, portais que surgem onde a densidade quiral explode. É assim que ele chega à Austrália e encontra Lou de novo, só que como uma entidade BT.
A partir daí, Kojima abre espaço para camadas ainda mais densas. A trama revela que Lou é filha biológica de Sam com Lucy, a esposa falecida dele. Um elo trágico emerge com Neil Vanna, antigo parceiro de Lucy que tentou salvá-la na gravidez, mas terminou despedaçado por um void-out. A carga dramática vai ao limite quando Sam reencontra Higgs, ressuscitado e alimentado por uma IA chamada APAS 4000, a mesma criada para controlar robôs de entrega. Esse monstro digital quer provocar o “Last Stranding” e arrastar tudo para o abismo, sequestrando Lou para usar os poderes dela e acelerar a ruína do mundo.
Fragile paga o preço máximo pela lealdade. Ainda que seu espírito tenha permanecido para guiar Sam depois da morte inicial pelas mãos de Higgs, no clímax ela desaparece para sempre, garantindo que Lou fique em segurança. É um dos momentos mais dolorosos do jogo, que eleva o peso humano do sacrifício ao mesmo tempo em que explora o surreal.
Quando Sam e Higgs se enfrentam, o jogo abraça o espetáculo sem pudor. A luta derrapa entre espadas, socos e até um duelo de guitarras elétricas que, em qualquer outro universo, soaria ridículo, mas que em “Death Stranding 2” funciona como poesia caótica. Lou, já consciente de quem é e do que carrega, domina seus poderes e destrói Higgs num ato final que dissolve qualquer dúvida sobre sua importância para o futuro.
O epílogo é direto e carregado de significado. Lou recupera todas as memórias, entende o amor que Sam sempre sentiu por ela e aceita seu papel. Não há múltiplos finais: o jogo empurra o jogador para esse desfecho único, alinhado à assinatura de Kojima de criar narrativas lineares que alimentam interpretações múltiplas.
Mas é nas cenas pós-créditos que “Death Stranding 2: On the Beach” planta sementes para o que ainda pode vir. Primeiro, vemos Lou adulta, agora também portadora, seguindo o caminho do pai enquanto carrega o antigo recipiente BB, caminhando para um plate gate que liga continentes. Depois, o recipiente surge cheio de maçãs vermelhas, metáfora de vitalidade que indica que Lou aprendeu a dominar o envelhecimento acelerado algo que pode redefinir a sobrevivência da humanidade.
“Death Stranding 2” termina sem respostas mastigadas. O jogo prefere oferecer uma melancolia bonita, onde conexões pessoais salvam mais do que qualquer rede tecnológica. Hideo Kojima parece gritar que o futuro só é possível porque há quem insista em amar, mesmo num planeta partido.
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