“Round 6” chega ao fim na terceira temporada com um desfecho que é tão brutal quanto simbólico. O criador Hwang Dong-hyuk não economiza em dores humanas, reviravoltas cruéis e uma conclusão que reforça o peso da esperança como única moeda capaz de pagar pela sobrevivência.
A história continua a usar o mesmo palco perverso que conquistou o mundo: sul-coreanos atolados em dívidas, jogados num espetáculo mortal que mistura “Battle Royale” com escape rooms de pesadelo. Desta vez, porém, o jogo avança para patamares ainda mais doentios. A competição, chamada Sky Squid Game, obriga os jogadores a atravessarem três torres geométricas, empurrando adversários para a morte. Para que cada queda conte oficialmente, um botão no chão precisa ser acionado, um detalhe sádico que se torna decisivo no final.
Atenção: este texto contém spoilers sobre o desfecho de “Round 6”.
Do mesmo diretor de “Noites Brutais”, “A Hora Do Mal” estreia em agosto no Brasil
Gi-hun, o Jogador 456, herói moral que carrega o peso da série desde o início, se dedica a proteger o bebê de Jun-hee, a Jogadora 222, morta logo após dar à luz. Esse bebê surge como uma reviravolta orquestrada pelos VIPs sádicos, que sugerem sua entrada no jogo apenas para prolongar o entretenimento doentio. Jun-hee, já ferida e ciente de que seria um fardo, salta para a morte num ato de amor absoluto, confiando seu filho a Gi-hun.
Na rodada final, Gi-hun enfrenta Myung-gi, pai biológico do bebê e movido exclusivamente pela ganância. A luta é violenta, culminando com ambos despencando da torre. Gi-hun se agarra à vida segurando Myung-gi, mas a jaqueta rasga e o rival cai. Só que ninguém apertou o botão que validaria aquela morte, deixando Gi-hun e o bebê como os últimos na disputa. O protagonista então faz a escolha que redefine tudo: aciona o botão e cai para sua própria morte, garantindo que o bebê vença sem jamais carregar o peso do sangue em suas mãos.
Esse sacrifício não é só o clímax dramático da temporada, é também a maior declaração de humanidade de toda a série. Hwang Dong-hyuk explicou que Gi-hun vê o bebê como o reflexo da própria filha e entende que, para que o futuro exista, alguém precisa abrir mão de tudo. A mensagem de sacrifício e união é mais poderosa do que qualquer prêmio em dinheiro.
Depois disso, o Front Man, interpretado pelo intenso Lee Byung-hun, mostra uma rachadura em sua carapaça fria. Ele salva o bebê e foge antes que a guarda costeira invada a ilha. Seis meses se passam e o vemos invadir o apartamento do irmão Jun-ho, depositando o prêmio colossal de 45,6 bilhões de wons junto ao bebê, coroando a criança como a mais nova campeã desse pesadelo — ironia cruel, mas também a última chance de redenção para muitos personagens que já estavam destroçados por dentro.
A temporada também fecha arcos importantes. Capitão Park é revelado como agente infiltrado do jogo e morre num embate contra Jun-ho. No-eul, a guarda rosa que orquestra um plano para salvar Gyeong-seok, sobrevive ao lado dele, mas sem ser reconhecida, carregando o trauma do exílio e uma fagulha de esperança ao descobrir que sua filha pode estar viva na China. Já Cheol, irmão pequeno de Sae-byeok, enfim reencontra a mãe norte-coreana, numa conclusão carregada do desejo que a irmã sempre teve.
A última cena é um golpe silencioso. O Front Man aparece em Los Angeles e vê um jogo de ddakji acontecendo, o mesmo jogo que recrutou Gi-hun lá atrás. Cate Blanchett, vivendo uma misteriosa recrutadora, troca olhares com ele, sugerindo que o ciclo continua. O jogo não morreu, só mudou de endereço.
Mesmo com a morte de Gi-hun e o encerramento da trama principal, “Round 6” deixa claro que o vício humano por violência, apostas e poder não vai embora tão fácil. O universo da série segue aberto, pulsante e pronto para ser explorado em novos recortes, alimentando teorias e mantendo a história viva no inconsciente coletivo.
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