Marcelo Segreto lança clipe “Lost In Translation”, parte de EP inspirado em cinema

Marcelo Segreto lançou nesta quarta-feira (25) o clipe “Lost In Translation” com direção de Martina Mattar. A música foi produzida pelo Selo da Gravadora Experimental da Fatec Tatuí com produção musical de Marcus Preto e Tó Brandileone e participação de Tatiana Parra.

Idealizador e compositor da Filarmônica de Pasárgada, Segreto já trabalhou com artistas como Tom Zé, Guilherme Arantes e Luiz Tatit e atualmente está dando continuidade à sua carreira solo.

“Como parte do projeto do EP Cinemúsicas, Vol.1 (projeto com canções inspiradas no cinema) compus essa música inspirado pelo filme Lost In Translation (Encontros e Desencontros) da Sofia Coppola. O filme trata do amor, das dificuldades do encontro e da solidão e esses sentimentos e impasses me parecem extremamente atuais, tendo em vista a experiência de distanciamento e separação que vivemos desde o início do ano passado com o início da pandemia”, comenta o artista.

Quando estava escrevendo o roteiro do clipe, a diretora Martina Mattar identificou uma característica muito forte no filme da Sofia Coppola: as frequentes mudanças de foco. Em várias cenas do filme Lost In Translation, a câmera vai brincando com o foco e descobrindo os atores e paisagens urbanas da cidade de Tóquio (lugar onde se passa a história das personagens interpretadas por Bill Murray e Scarlett Johansson).

O EP Cinemúsicas, Vol.1 será lançado em outubro deste ano e ainda conta com outras canções inspiradas em filmes brasileiros, tais como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Limite” de Mário Peixoto, “Noite Vazia” de Walter Hugo Khouri e “Democracia em Vertigem” de Petra Costa.

O Caderno Pop conversou com o artista sobre cinema, música e muito mais! Confira:

O EP já teve como estreia “Bacurau” e agora parte para um nome de filme em inglês, o “Lost in Translation”. Queria que você contasse um pouco da sua história com o cinema.
Falando um pouco sobre a minha história com cinema, eu sou um cinéfilo. Sempre vi muitos filmes e quando estudava Música na USP, que tem muitas optativas, gente volta e meia faz matérias em outras faculdades, de outros cursos e eu assisti várias matérias do Cinema, por exemplo, que era o prédio ao lado do de Música Então assisti umas sete, oito matérias como ouvinte e pude pesquisar mais, entender melhor sobre a linguagem do cinema e isso fez eu gostar ainda mais de cinema e eu sempre tive essa vontade de fazer canções a partir de filmes ou compor um um álbum, um EP inspirado no cinema. Então esse foi a minha ideia assim, fazer essas canções do EP “Cinemúsicas” e curiosamente assim o tio do meu bisavô, que se chama Afonso Segreto, ele é o primeiro cineasta brasileiro, que realizou um filme no Brasil em 1898, é tido como primeiro filme do país. É um filme que ele fez registrando as imagens da Baía de Guanabara quando ele tava chegando de navio da Europa. Então ficou uma uma curiosidade assim, né? Essa coisa do cinema. O meu bisavô também teve distribuidora de filmes, então tem uma uma ligação da família com o cinema.

Seguindo com o tema, cinema, você tem algum gênero favorito? Esse ano, por exemplo, quais os filmes que mais te chamaram a atenção? Algum deles pode virar nome de música?
No cinema assim como na canção também eu não tenho um gênero favorito, eu gosto de muitos tipos de filmes e esse ano me chamou muita atenção alguns filmes que participaram do Oscar. A gente não tá com cinema aberto, então o que é muito triste, mas o que eu pude ver dos filmes que foram lançados no começo do ano aqui no Brasil o “Nomadland”, com Oscar de Melhor Filme, e “O Som do Silêncio”, achei muito bons e poderiam dar canções, principalmente “O Som do Silêncio”. É raro uma recriação de um nome de filme estrangeiro ficar bom em português. E esse ficou muito bom e penso em fazer canções a partir desses dois filmes.

Agora queria falar um pouco da Filarmônica de Pasárgada… já são quase 15 anos de criação. Imagino que o projeto tenha dado um tempo por causa da pandemia. Esse seu projeto solo tem a ver com essa breve interrupção?
Nossa verdade já faz quase 15 anos né? A gente se juntou pra tocar em 2008, então em 2023 faria 15 anos, mas na verdade a gente conseguiu gravar o primeiro disco em 2012. Com a filarmônica ano que vem que serão 10 anos do primeiro disco. Na verdade o trabalho da filarmônica não foi interrompido. A pandemia claro né, além de toda a tragédia humana também é uma tragédia pro pra cultura e pros artistas. E a filarmônica como depende também de juntar as pessoas fica mais difícil mesmo na pandemia. Mas a gente não chegou a interromper os trabalhos. A gente só tá meio em standby. A gente gravou um disco logo antes de começar a pandemia, tinha acabado de quase conseguir gravar todo disco novo, faltavam algumas canções, então a gente ficou meio nesse standby, esperando pra ver até um dia essa pandemia pra decidir uma data pra lançar o novo disco. E aí agora que a gente decidiu lançar no ano que vem, em março ou abril, é um novo disco sobre a história da cidade de São Paulo, então as canções são inspiradas na cidade de São Paulo. E o projeto solo na verdade num então não tem a ver com essa interrupção porque a gente não interrompeu a filarmônica mas é mais uma vontade minha. Eu componho e arranjo as canções da da filarmônica e eu tinha essa vontade de, por um lado ter um trabalho bastante voltado pra canções mais melancólicas, líricas, simples, mais delicadas como são as canções que eu tô trabalhando nesse projeto solo e por por outro lado eu tenho muito a curtição de fazer canções experimentais também e aí eu fiquei pensando nessa ideia de deixar a filarmônica, de compor as minhas canções mais experimentais pra filarmônica e deixar as canções mais líricas pro meu projeto solo. Então eu achei que pudesse ser uma boa divisão pra eu poder até fazer coisas até mais experimentais na filarmônica e coisas mais mais populares, mais pop no meu trabalho solo, mas os dois projetos vão continuar paralelamente. Tô me dedicando pra pra conseguir manter as os dois projetos que eu acho que é enriquecedor. Acho que uma coisa enriquece a outra e eu acho acho isso legal.

Continuando sobre os dois temas, na Filarmônica você trabalha com mais sete pessoas. Como você vê esse trabalho me conjunto em comparação com um projeto solo? O que é mais “tranquilo”?
É na Filarmônica tem é uma banda grande né? Grandona assim na verdade é que a gente tem os amigos da Trupe Chá de Boldo que são em 13 né? Então a gente até se sente uma banda pequena perto deles. Mas a gente não não chega a ser como os nossos outros amigos d’O Terno, né, que são três. Então claro né, o trabalho é sempre tranquilo. Eu componho as canções, faço os arranjos e levo pra gente ensaiar. A gente ensaiando, decide as possíveis mudanças e vai deixando a coisa mais concreta assim e aí grava ou faz o show. E tem sido assim também com meu trabalho solo. Eu componho as canções, faço os arranjos – a gente não tá conseguindo ensaiar – mas levo pra gravação, pra pra Renata, do clarinete ou a Maíra do violoncelo. Mas com certeza né, é mais tranquilo nesse sentido, acho talvez até de viabilidade, de muitos shows assim que a filarmônica às vezes não pode participar porque nem cabe no palco né. Às vezes é um programa, festival que não tem o cachê suficiente pra levar todo mundo. A gente foi tocar na Europa uma vez e não pôde ir todo mundo. É a história, a vivência de cada pessoa e isso enriquece muito o trabalho.

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