CCBB em programação especial para mostra sobre Spike Lee

Na semana que em que se celebra Dia da Consciência Negra (20 de novembro) O CCBB São Paulo exibe uma programação especial da mostra ACORDE! O CINEMA DE SPIKE LEE para quem for curtir o feriado prolongado em São Paulo. Com um cinema extremamente atual e um discurso inclusivo, Spike Lee aborda em sua filmografia uma visão particular da diversidade racial urbana. A mostra apresenta ao público um dos mais importantes e urgentes cineastas contemporâneos, com um recorte de 22 filmes e 4 videoclipes que representam diferentes momentos da carreira do cineasta.

Na programação do feriadão, alguns clássicos de Spike Lee, como “Michael Jackson’s Journey form Montown to off the Wall”, “Elas me Odeiam, mas me Querem”, “A Hora do Show” e “Oldboy – Dias de Vingança”, entre outros.

Acorde!’essa expressão está presente em quase todos os filmes de Spike Lee. É um chamado para a ação, para a ruptura de um comportamento padronizado, geralmente declamado por um personagem secundário para o personagem central, frequentemente em uma visão subjetiva: o ator olha para a câmera e fala ‘Acorde!’ para a plateia do cinema. “Spike Lee quer que seu cinema faça o público acordar para a realidade que o cerca”, comenta o curador Jaiê Saavedra.

Em cartaz até 3 de dezembro, ACORDE! O CINEMA DE SPIKE LEE traz alguns dos títulos mais recentes do cineasta, porém pouco vistos nas salas de cinema brasileiras, e alguns de seus melhores trabalhos para a televisão, como os documentários Kobe Doin’ Work (2009), filmado com 30 câmeras, e Michael Jackson’s Journey from Motown to Off the Wall (2016). Michael Jackson também é a estrela de um dos videoclipes da mostra – They Don’t Care About Us, gravado no Rio de Janeiro e em Salvador.  Quatro filmes clássicos serão exibidos em 35mm: Mais e melhores blues(1990), Febre da selva (1991), Malcolm X (1992) e A última noite (2002), que terão sessões inclusivas (com audiodescrição e close caption).

Ao demonstrar para Hollywood o potencial de um cinema negro junto ao público amplo, Spike Lee saiu da condição duplamente marginalizada de cineasta independente e negro, fazendo dos black films parte da grande indústria do cinema americano. Após o sucesso do seu primeiro lançamento comercial, a comédia Ela quer tudo (She’s Gotta Have It, 1986), que marcou também a estreia de Spike Lee como ator, ele abriu a sua produtora – 40 acres and a Mule Filmworks (o nome é inspirado em uma promessa não cumprida que políticos fizeram a escravos recém-liberados depois da Guerra Civil americana).

Um período de intensa criatividade veio a seguir, com filmes como Faça a coisa certa (1989), Mais e melhores blues (1990), Malcolm X (1992) Febre na selva (1991), colocando o diretor entre os grandes nomes do cinema mundial. Surpreendentemente, mesmo tendo alcançado a condição de um cineasta mainstream, Spike Lee nunca deixou de considerar a si mesmo um cineasta negro e independente. Com A hora do show (2001), uma crítica feroz à forma como Hollywood e a TV dos Estados Unidos tratavam os negros, ele consolidou definitivamente a sua posição como um dos grandes realizadores do século. Spike já trabalhou com diversas estrelas e gosta de repetir no elenco de seus filmes nomes, como Denzel Washington (que encarnou Malcolm X), John Turturro, Samuel L. Jackson e Michael Imperioli. Em 2016, Lee ganhou um Oscar Honorário mas não foi à cerimônia para marcar sua posição em um momento em que se discutia a falta de indicações de pessoas negras ao prêmio.

– Spike Lee também é, antes de tudo, um cineasta com incrível domínio técnico, grande sensibilidade na direção de atores e enorme respeito à palavra. Seus primeiros filmes já se tornaram clássicos do cinema que merecem ser (re)assistidos e novamente discutidos. Um raro exemplo de um diretor que conservou enorme vigor e ousadia através das décadas, transcendendo o título de representante de um cinema negro e se tornando um dos grandes de nossa época – completa Jaiê Saavedra.

A mostra ACORDE! O CINEMA DE SPIKE LEE contará com um debate com o curador, a pesquisadora Kênia Freitas e o crítico Bruno Galindo, que ainda vai ministrar uma aula sobre o cinema de Spike Lee, ambos gratuitos, com distribuição de senhas a partir de uma hora antes do início do evento.

Os visitantes que assistirem cinco sessões de filmes ganharão um catálogo da mostra. A programação completa estará disponível no site bb.com.br/cultura.

CCBB São Paulo – 7 de novembro a 3 de dezembro de 2018
CCBB Rio de Janeiro – 7 de novembro a 26 de novembro
CCBB Brasília – 20 de novembro a 9 de dezembro

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